Demarest e Cescon Barrieu atuam em CRI de R$ 257,9 mi da Direcional

Da redação de LexLegal
A Direcional Engenharia S.A. concluiu uma operação de captação de R$ 257,9 milhões no mercado de capitais por meio da emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), em oferta pública destinada a investidores qualificados. A estruturação jurídica da operação contou com a atuação do escritório Demarest Advogados, assessorando a companhia, e do escritório Cescon, Barrieu, Flesch & Barreto Advogados, que representou o coordenador líder da oferta, a XP Investimentos.
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Os CRIs são títulos de renda fixa lastreados em créditos do setor imobiliário. Em termos simples, funcionam como uma forma de transformar parcelas que a empresa tem a receber de seus clientes em recursos imediatos no mercado. A securitizadora compra esses créditos, reúne tudo em uma operação financeira e emite os certificados para investidores, que passam a receber os pagamentos futuros acrescidos de juros.
No caso da Direcional, a emissão foi realizada pela Virgo Companhia de Securitização, responsável por estruturar os títulos e levá-los ao mercado. Os CRIs foram lastreados em recebíveis imobiliários cedidos por empresas do grupo econômico da construtora, originados de contratos de compra e venda de unidades residenciais em empreendimentos desenvolvidos sob o regime de incorporação imobiliária. Isso significa que os pagamentos feitos pelos compradores dos imóveis sustentam financeiramente os títulos vendidos aos investidores.
A operação envolveu a emissão de 257.900 CRIs, divididos em duas classes: sênior e subordinada. A classe sênior é a que tem prioridade de pagamento, sendo considerada mais segura para os investidores. Já a classe subordinada absorve primeiro eventuais perdas e, por isso, oferece maior risco, mas pode ter remuneração mais elevada. Essa divisão é comum em operações estruturadas porque permite acomodar perfis diferentes de investidores dentro da mesma emissão.
A oferta foi feita sob o regime de distribuição automática, previsto na Resolução CVM nº 160. Esse modelo simplifica o processo regulatório quando a operação é direcionada a investidores qualificados, como fundos de investimento, bancos e grandes instituições financeiras. Na prática, isso reduz prazos e burocracia, permitindo que a empresa acesse o mercado de forma mais rápida, sem abrir mão das exigências de transparência e governança.
Para a Direcional, a operação representa uma alternativa ao crédito bancário tradicional. Ao captar recursos diretamente no mercado, a companhia diversifica suas fontes de financiamento e ajusta o perfil de sua dívida ao ritmo dos recebimentos imobiliários, que costumam ser de médio e longo prazo. Esse tipo de estrutura é comum em incorporadoras que buscam manter previsibilidade de caixa e maior eficiência financeira.
Do ponto de vista do mercado, a emissão reforça o papel dos CRIs como instrumento central no financiamento do setor imobiliário brasileiro. Eles permitem que investidores participem do crescimento do mercado residencial ao mesmo tempo em que oferecem um produto de renda fixa lastreado em contratos reais de compra e venda de imóveis.
A assessoria jurídica da Direcional Engenharia S.A. foi conduzida pelo escritório Demarest Advogados, que atuou na estruturação da operação, na preparação dos documentos da oferta e no atendimento às exigências regulatórias aplicáveis ao mercado de capitais. Pelo escritório, participaram a sócia Julia Lobo, que liderou o trabalho, e os advogados Lucas Schiavon e Andre Cafe.
Já o coordenador líder da oferta, a XP Investimentos Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários S.A., foi assessorado pelo escritório Cescon, Barrieu, Flesch & Barreto Advogados, responsável por representar juridicamente a instituição financeira na estruturação e na distribuição dos títulos ao mercado.
A emissão foi assinada em 28 de novembro de 2025 e teve seu fechamento em 23 de dezembro de 2025, quando todas as condições contratuais foram cumpridas e os recursos efetivamente disponibilizados à companhia. O status da operação é de concluída, com a totalidade dos CRIs colocados junto aos investidores.
Em um cenário de juros ainda elevados e maior seletividade do crédito bancário, operações como essa mostram como o mercado de capitais tem sido utilizado pelas incorporadoras para sustentar seus projetos e manter o ritmo de lançamentos. O uso de recebíveis imobiliários como lastro cria uma conexão direta entre a atividade de vendas e a estrutura financeira das empresas.
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Com a conclusão da oferta, a Direcional passa a contar com uma fonte adicional de recursos para financiar seus empreendimentos residenciais, ao mesmo tempo em que amplia sua presença no mercado de capitais e reforça o uso de instrumentos financeiros estruturados como parte de sua estratégia de crescimento.