Demarest completa 78 anos e reforça expansão em áreas reguladas

Da redação de LexLegal
O escritório Demarest Advogados completa 78 anos nesta quinta-feira (23). A firma aproveitou a data comemorativa e apresentou seu Relatório Anual como marco de gestão, destacando expansão em áreas reguladas, uso de inteligência artificial e reforço em setores estratégicos da economia. O estudo acompanha o cenário de aumento da regulação, judicialização e exigências ambientais e tecnológicas, que vêm pressionando empresas a buscar assessoria jurídica mais especializada.
A trajetória do escritório acompanha mudanças estruturais do país, desde o processo de industrialização até a atual economia digital. Hoje, a atuação jurídica se concentra em temas como reforma tributária, segurança de dados e transição energética, que passaram a ter impacto direto na viabilidade de investimentos e na segurança jurídica de projetos empresariais.

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Expansão jurídica que acompanha mudanças regulatórias
O fortalecimento das áreas técnicas do escritório reflete uma tendência mais ampla do mercado jurídico brasileiro. Setores como mineração, infraestrutura e meio ambiente estão sujeitos a regras cada vez mais detalhadas. Isso exige análise constante de normas, licenças e exigências públicas.
Em fevereiro de 2026, o Demarest anunciou a incorporação do William Freire Advogados Associados, especializado em mineração e recursos naturais. A operação reforçou a presença do escritório em Minas Gerais, estado estratégico para atividades ligadas à exploração mineral e à cadeia industrial pesada.
Do ponto de vista legal, esse tipo de incorporação exige revisão contratual, integração de equipes e adaptação às regras de governança interna. Governança, nesse contexto, significa o conjunto de regras que organiza a tomada de decisões dentro da instituição, incluindo responsabilidades, prestação de contas e transparência.
A expansão também ocorreu na área ambiental, considerada uma das mais demandadas no momento. O aumento das exigências ambientais e das políticas de sustentabilidade transformou esse campo jurídico em peça central para novos empreendimentos. Empresas precisam comprovar que suas operações respeitam limites ambientais e regras de impacto social antes de obter licenças para funcionar.
Esse movimento acompanha a chamada agenda ESG, sigla que reúne práticas ambientais, sociais e de governança. Na prática, isso significa que investidores e financiadores avaliam riscos ambientais e sociais antes de liberar recursos para projetos.
Inteligência artificial e dados mudam a atuação jurídica
Outro eixo relevante da estratégia do escritório envolve o uso de inteligência artificial no dia a dia jurídico. O uso dessa tecnologia vem se tornando comum em escritórios que lidam com grande volume de contratos e processos.
Ferramentas de inteligência artificial ajudam a revisar documentos, identificar riscos e organizar grandes volumes de informação jurídica. Isso reduz o tempo gasto em tarefas repetitivas e permite que advogados se concentrem em análises estratégicas.
Do ponto de vista legal, o uso dessas ferramentas exige cuidados com proteção de dados e segurança da informação. A legislação brasileira prevê regras específicas para o tratamento de dados pessoais, exigindo controles internos e mecanismos de auditoria.
Segundo o relatório institucional, a adoção dessas ferramentas ocorre com foco em eficiência e responsabilidade no uso de dados, integrando tecnologia às rotinas jurídicas.
Esse movimento reflete uma mudança estrutural na advocacia empresarial. Escritórios deixaram de atuar apenas como defensores em disputas judiciais e passaram a exercer papel preventivo. Isso significa identificar riscos antes que se tornem processos.
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Judicialização e reformas aumentam demanda jurídica
O relatório anual também destacou o crescimento das atividades em 2025, um ano marcado por reformas estruturais e aumento da judicialização.
A reforma tributária é um exemplo claro dessa mudança. Novas regras de tributação exigem adaptação de contratos, sistemas contábeis e modelos de negócio. Empresas precisam revisar estruturas fiscais para evitar riscos e custos inesperados.
Outro fator que amplia a demanda jurídica é o avanço da regulação digital. Temas como segurança cibernética, uso de dados e responsabilidade tecnológica passaram a fazer parte da rotina jurídica das empresas.
Segundo dados divulgados no relatório, o escritório contabilizou mais de 600 horas de treinamento e mais de 745 horas de trabalho pro bono em 2025. Essas atividades também têm impacto legal, pois contribuem para ampliar o acesso à Justiça e reduzir desigualdades no acesso à assistência jurídica.
Governança e estratégia viram ferramenta de prevenção
Um dos pontos centrais destacados foi o fortalecimento da governança interna. Esse conceito tem ganhado destaque no setor jurídico porque influencia diretamente a qualidade dos serviços prestados. Governança eficiente permite identificar riscos regulatórios e antecipar mudanças legais. Em um ambiente econômico instável, essa capacidade de previsão se tornou diferencial competitivo.
A consolidação de áreas por setores econômicos também faz parte dessa estratégia. Ao organizar equipes por segmentos como energia, telecomunicações e infraestrutura, o escritório amplia a especialização técnica e reduz erros operacionais.
Esse modelo permite compreender melhor o impacto das políticas públicas sobre empresas. Mudanças regulatórias, por exemplo, podem alterar custos operacionais ou inviabilizar determinados investimentos.
Hoje, o escritório reúne 114 sócios e mais de 400 advogados distribuídos em quatro unidades no país. O atendimento envolve mais de 2.500 clientes nacionais e internacionais, o que exige padronização de procedimentos e rigor no cumprimento das normas legais.
Longo prazo e continuidade institucional
A longevidade institucional também foi destacada como elemento central do posicionamento estratégico do escritório. Estruturas jurídicas que atravessam décadas costumam ter modelos organizacionais sólidos e cultura institucional consolidada.
“Poucos escritórios no país alcançaram essa longevidade mantendo, ao mesmo tempo, relevância, independência e capacidade de renovação. Chegamos aos 78 anos em plena forma. Estamos atentos às transformações do mercado, conectados às demandas de nossos clientes e das nossas pessoas, preparados para os próximos ciclos de crescimento. Seguimos em movimento, com disciplina estratégica, governança e compromisso efetivo com nossos clientes e com a sociedade”, afirma José Diaz, managing partner do Demarest.

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O cenário atual indica que a advocacia empresarial continuará sendo influenciada por fatores externos, como mudanças políticas, disputas comerciais internacionais e avanços tecnológicos. Escritórios que conseguem integrar conhecimento técnico, tecnologia e governança tendem a ganhar espaço em um ambiente jurídico cada vez mais complexo.
Ao completar 78 anos, o Demarest reforça um movimento que vem se consolidando no setor jurídico: a transformação da advocacia em atividade estratégica, voltada à prevenção de riscos e à viabilização de negócios em ambientes regulatórios exigentes.