CVM troca cúpula de fiscalização após auditoria apontar falhas no Caso Master

CVM troca cúpula de fiscalização após auditoria apontar falhas no Caso Master
Exoneração de superintendentes ocorre após grupo de trabalho identificar gargalos na supervisão de fundos/Divulgação
Publicado em 31/03/2026 às 8:00

Da redação de LexLegal

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) oficializou a saída dos superintendentes Alexandre Pinheiro (Geral) e Marco Velloso (Investidores Institucionais). A reestruturação interna é um desdobramento direto das apurações de um grupo de trabalho criado em fevereiro para investigar a conduta da autarquia em relação ao Banco Master e à gestora Reag.

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Embora a CVM negue formalmente a conexão e atribua as mudanças a um “momento de renovação institucional”, servidores confirmaram que a auditoria identificou falhas operacionais que tornaram a fiscalização morosa diante de indícios de irregularidades e fraudes financeiras.

Gargalos operacionais e a maior fraude financeira do país

O grupo de trabalho recomendou melhorias urgentes na supervisão, como a identificação automática de fundos com ressalvas de auditoria. A medida visa evitar que casos como o do Banco Master — liquidado pelo Banco Central em novembro por crise de liquidez e violações graves — voltem a ocorrer sem a devida agilidade regulatória.

As investigações apontam que o Master e a Reag, de João Mansur, teriam montado a maior fraude financeira da história do Brasil, utilizando estruturas de fundos pouco transparentes para movimentar recursos de forma irregular, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro para o crime organizado.

Interinidade e defesa institucional dos servidores

A perita Maria Lúcia Maceira assumirá interinamente a superintendência-geral, enquanto Claudio Maes ficará à frente da supervisão de investidores institucionais (SIN). Em nota, a CVM defendeu o rigor técnico dos exonerados e afirmou que as mudanças fazem parte de um pacote organizacional mais amplo.

A autarquia também rebateu acusações de lentidão, citando que o Ministério Público Federal arquivou representações anteriores sobre prazos de inquéritos. Diferente do Banco Central, onde houve afastamentos por suspeita de cooptação, a CVM sustenta que sua reforma é estritamente técnica para eliminar os “gargalos” que impediram uma resposta mais rápida ao esquema liderado pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

As defesas de Daniel Vorcaro e da gestora Reag não se pronunciaram sobre as novas revelações. O caso Master tornou-se um marco de crise de confiança no sistema financeiro nacional, com 97% dos brasileiros cientes do escândalo, segundo pesquisas recentes.

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Com as novas lideranças, a CVM busca fortalecer a detecção precoce de inconsistências contábeis em fundos de investimento, tentando fechar as brechas que permitiram o desvio de recursos de precatórios e outras operações fraudulentas que terminaram com dinheiro enviado ao exterior.

SÃO PAULO WEATHER