Criminosos usam anúncios do Google para aplicar novos golpes de phishing com aparência legítima

Criminosos usam anúncios do Google para aplicar novos golpes de phishing com aparência legítima
Esses golpes, conhecidos como phishing patrocinado, se aproveitam do fato de o e-mail aparecer como um conteúdo legítimo e promovido/Freepik
Publicado em 06/07/2025 às 11:43

Da redação de LexLegal

Uma nova estratégia de cibercrime tem se espalhado com rapidez no ambiente digital brasileiro: criminosos estão pagando pela veiculação de e-mails maliciosos através da plataforma de anúncios do Google para simular alertas oficiais de empresas, bancos ou órgãos públicos. O objetivo é um só: roubar dados pessoais, bancários e financeirosdas vítimas.

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Esses golpes, conhecidos como phishing patrocinado, se aproveitam do fato de o e-mail aparecer como um conteúdo legítimo e promovido — ou seja, impulsionado por publicidade paga — o que aumenta sua credibilidade e reduz a desconfiança dos usuários. Em vez de invadir sistemas, os fraudadores apostam na engenharia social, explorando emoções como medo, urgência, curiosidade e até promessas de vantagem para induzir o clique em links falsos.

Entre os temas mais usados estão supostos alertas de cobrança, bloqueios de contas, boletos vencidos, promoções exclusivas, notificações de entrega e até convocações judiciais. A aparência profissional das mensagens, com logotipos e visual idêntico ao de instituições conhecidas, torna ainda mais difícil identificar a fraude.

Segundo especialistas, o uso de plataformas confiáveis como o Google para disseminar esse tipo de conteúdo representa um novo patamar na sofisticação dos crimes cibernéticos. E a ameaça exige atenção redobrada tanto de usuários quanto das próprias empresas de tecnologia.

“O uso de plataformas legítimas para disseminar fraudes é extremamente preocupante. Isso dá aos golpes uma credibilidade que confunde o usuário, dificultando a identificação da ameaça”, alerta o advogado Francisco Gomes Junior, especialista em crimes cibernéticos e presidente da Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP).

A manipulação emocional é uma das principais ferramentas usadas pelos criminosos. Mensagens com tom alarmante, como “sua conta será cancelada”, “urgente: pagamento em atraso” ou “última chance para regularizar” pressionam o destinatário a agir por impulso.

“Mensagens informando que a conta será cancelada, que há boletos em atraso ou pedindo atualizações cadastrais são clássicas. O objetivo é pressionar emocionalmente a vítima para que ela não pense duas vezes antes de clicar”, explica Francisco.

Mas os golpes não se limitam ao medo. Alguns e-mails apelam para a curiosidade ou ganância, prometendo prêmios, descontos ou até fofocas escandalosas. E mesmo que pareçam inofensivos à primeira vista, um clique é o suficiente para entregar senhas, dados bancários ou instalar vírus no dispositivo da vítima.

“Eles sabem como manipular. Se não é pela ameaça, é pela curiosidade ou pela promessa de vantagem. Por isso, os golpes continuam se reinventando”, destaca o advogado.

Apesar do disfarce bem elaborado, há sinais de alerta que podem denunciar o golpe: links com endereços estranhos, erros de ortografia, imagens borradas, arquivos anexos em formatos incomuns (.exe, .zip, .scr) e solicitações para instalar extensões ou baixar programas devem ser evitados.

Outro cuidado importante é com os falsos alertas de segurança: algumas mensagens simulam avisos de navegadores e induzem o usuário a instalar atualizações ou correções de sistema, quando, na verdade, estão ativando malwares.

Francisco orienta que, diante desse cenário, a prevenção é a melhor defesa. Ele recomenda práticas básicas de segurança digital, como:

  • Evitar clicar em links recebidos por e-mail ou mensagens suspeitas;
  • Ativar a verificação em dois fatores nas contas pessoais e bancárias;
  • Manter o antivírus e o sistema operacional atualizados;
  • Verificar sempre o endereço do remetente e o link antes de clicar.

E completa:

“Estamos vivendo uma era em que os cibercrimes estão cada vez mais profissionais. Cabe às plataformas de tecnologia reforçarem seus sistemas de checagem, mas o usuário também precisa se educar e desconfiar. Informação é a melhor defesa.”

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Para saber mais, a Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP) mantém conteúdos de orientação em seu site www.addp.com.br e no Instagram @addp_associacao.

SÃO PAULO WEATHER