Copom vê incerteza com guerra e freia plano de novos cortes na taxa Selic

Copom vê incerteza com guerra e freia plano de novos cortes na taxa Selic
Ata do Banco Central aponta que conflito no Oriente Médio e cenário nos EUA elevam riscos para inflação/Marcello Casal JrAgência Brasil
Publicado em 24/03/2026 às 12:34

Da redação de LexLegal

O Banco Central interrompeu a sinalização de novos cortes nos juros básicos da economia. Na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira, 24, o colegiado afirmou que o “ciclo de calibração” da Selic será definido conforme novos dados surgirem, sem garantir quedas futuras. Na semana passada, o BC reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, em um movimento de cautela diante da escalada das tensões entre Israel e Irã.

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O documento reforça que o cenário global tornou-se hostil, o que impede a manutenção do ritmo de queda de 0,5 ponto esperado anteriormente. “Essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual a duração e extensão dos conflitos geopolíticos, assim como sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços, dificultam a identificação de tendências claras”, diz a ata. O BC destacou que o custo para controlar a inflação aumenta quando as expectativas do mercado sobem, como ocorre agora com a previsão do IPCA em 4,17% para este ano.

A autoridade monetária enfatizou que os juros devem permanecer em patamar restritivo por mais tempo. “No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo [principalmente de commodities, como o petróleo]”, diz a ata. Além do risco externo, o Copom alertou que a saúde das contas públicas brasileiras é crucial para a confiança dos investidores e a estabilidade da dívida.

O mercado financeiro, por sua vez, monitora a asfixia financeira de empresas e famílias sob o atual patamar de juros. Analistas sugerem que, caso o cenário internacional se acalme, o BC poderia recorrer a instrumentos atípicos. “A ata da decisão do COPOM divulgada há pouco reitera a perspectiva do comunicado da semana passada: estamos em plena incerteza geopolítica”, aponta André Perfeito, da Garantia Capital. Para o economista, embora o corte de 0,25 ponto tenha pouco efeito prático, o Banco Central “sempre tem a mão a possibilidade de chamar uma reunião extraordinária e cortar a SELIC”, caso a situação melhore.

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A ata conclui que o afrouxamento da disciplina fiscal ou o recuo em reformas estruturais podem elevar a taxa de juros neutra, prejudicando a potência da política monetária. “O esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade”, explicou o Banco Central.

SÃO PAULO WEATHER