Copom deve manter juros em 15% e aposta em estabilidade até 2026

Da redação de LexLegal
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central realiza nesta quarta-feira (4) a penúltima reunião do ano em meio a sinais de desaceleração da inflação e à resistência de preços administrados, como energia elétrica. Analistas do mercado financeiro apostam que a taxa Selic será mantida em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas.
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Desde setembro de 2024, o Copom elevou os juros sete vezes consecutivas até estabilizá-los em julho deste ano. O índice atual é o mais alto desde julho de 2006, quando a taxa atingiu 15,25%. A decisão oficial será divulgada no início da noite, mas o consenso entre economistas é de que o Banco Central seguirá com política monetária restritiva, à espera de maior clareza sobre os efeitos da inflação e da política fiscal.
A ata da reunião anterior, de setembro, indicou que a Selic deve permanecer em nível elevado por período prolongado, como forma de manter o controle inflacionário. O documento também apontou que o cenário internacional — especialmente a economia dos Estados Unidos e o impacto das tarifas impostas por Washington sobre produtos estrangeiros — tem tido “maior impacto” sobre os preços do que fatores internos. No Brasil, a pressão vem sobretudo das tarifas de energia, que ainda dificultam uma queda mais expressiva do índice geral de preços.
Expectativa de juros altos até 2026
O boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, reforça essa leitura. A pesquisa mostra que o mercado projeta manutenção da taxa básica em 15% ao ano até o fim de 2025 ou início de 2026, com divergências sobre o momento em que o ciclo de cortes pode começar. O consenso é de que a autoridade monetária só reduzirá os juros quando houver confirmação de que a inflação está efetivamente convergindo para a meta.
No cenário internacional, as decisões do Federal Reserve (Fed) continuam a influenciar o comportamento dos juros domésticos. O fortalecimento do dólar e o aumento das tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros também entram na conta, elevando custos e pressionando o câmbio.
Inflação recua, mas segue acima da meta
A trajetória da inflação segue no centro do debate. A prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), indicador que antecipa o resultado oficial, ficou em 0,18% em outubro, acumulando 4,94% em 12 meses. O dado mostra desaceleração, com destaque para a queda no preço médio dos alimentos pelo quinto mês consecutivo.
O IPCA fechado do mês será divulgado apenas em 11 de novembro, mas o boletim Focus já revisou a estimativa de inflação para 2025 em 4,55%, abaixo dos 4,8% projetados quatro semanas atrás. O número, ainda assim, ultrapassa o teto da meta contínua de 3%, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que admite variação de até 1,5 ponto percentual — ou seja, inflação máxima de 4,5%.
O Banco Central avalia que o processo de desinflação continua, mas de forma lenta. Preços administrados, como energia e combustíveis, e a volatilidade cambial ainda funcionam como obstáculos à convergência da meta.
Entenda a função da Selic
A Selic é a taxa básica de juros da economia e serve de referência para operações de crédito e investimentos. Ela influencia o custo do dinheiro em todos os níveis — desde o financiamento de grandes empresas até o rotativo do cartão de crédito.
Quando o Copom aumenta a Selic, o objetivo é reduzir a demanda e conter a alta de preços, tornando o crédito mais caro e estimulando a poupança. O efeito colateral é a desaceleração da economia, já que investimentos e consumo tendem a cair. Por outro lado, quando a taxa é reduzida, o crédito se torna mais acessível, incentivando a produção e o consumo, o que pode impulsionar a atividade econômica, mas também elevar o risco inflacionário.
A taxa é determinada nas reuniões do Copom, que ocorrem a cada 45 dias. No primeiro dia, técnicos do Banco Central apresentam um panorama da economia brasileira e internacional. No segundo, os diretores votam a nova taxa, considerando projeções de inflação, atividade e câmbio.
Meta contínua e novos parâmetros
Desde janeiro, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação, que substituiu o modelo anual. Pela nova metodologia, a meta de 3% é acompanhada mês a mês, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo. Assim, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%, e o Banco Central passa a avaliar o desempenho acumulado nos 12 meses anteriores, em vez de apenas o resultado de dezembro.
No Relatório de Política Monetária publicado em setembro, o Banco Central manteve a projeção de que o IPCA encerrará 2025 em 4,8%, mas reconheceu que esse número poderá ser revisto conforme a trajetória do dólar e o comportamento dos preços de energia. A próxima edição do documento será divulgada no fim de dezembro.
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Com juros altos e inflação persistentemente acima da meta, o Banco Central segue num equilíbrio delicado entre manter a credibilidade da política monetária e evitar um freio excessivo na economia. Para o mercado, o desafio é garantir estabilidade sem paralisar o crescimento — um debate que deve seguir até 2026.