Copom corta Selic para 14,75% e inicia queda dos juros após dois anos

Da redação de LexLegal
O Banco Central cortou nesta quarta-feira (18) a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, e iniciou o primeiro ciclo de queda dos juros em quase dois anos. A decisão foi unânime e já era esperada pelo mercado, mesmo com a guerra no Oriente Médio elevando o preço do petróleo e recolocando pressão sobre a inflação.
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Até então, a Selic estava em 15% ao ano desde junho do ano passado. A última redução havia ocorrido em maio de 2024, quando a taxa caiu de 10,75% para 10,5% ao ano. Meses depois, em setembro, o Banco Central retomou a alta dos juros, num movimento que levou a taxa ao maior nível em quase duas décadas.
A decisão desta quarta marca uma virada importante na política monetária. Na prática, a Selic é a taxa básica da economia e funciona como referência para empréstimos, financiamentos, aplicações financeiras e títulos públicos. Quando ela cai, o crédito tende a ficar menos caro. Quando sobe, o dinheiro encarece e o consumo perde força.
O corte veio apesar de um ambiente externo mais tenso. A escalada do conflito no Oriente Médio elevou o preço do petróleo e piorou parte das expectativas do mercado para a inflação. Ainda assim, o Copom decidiu abrir espaço para uma redução modesta, sinalizando cautela diante de um cenário ainda instável.
O principal motivo para esse movimento está no comportamento recente dos preços. Em fevereiro, o IPCA, índice oficial da inflação, subiu 0,7%, pressionado sobretudo pelas mensalidades escolares. No acumulado de 12 meses, porém, a inflação ficou em 3,81%, abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.
Esse dado ajuda a explicar por que o Banco Central entendeu haver margem para iniciar a queda dos juros. A missão da autoridade monetária é manter a inflação dentro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional. Desde janeiro deste ano, o país passou a operar com um sistema de meta contínua, em que o centro da meta é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Na prática, isso significa que a inflação pode variar entre 1,5% e 4,5%.
A diferença do novo modelo é que a meta deixou de ser checada apenas no fechamento de dezembro e passou a ser observada mês a mês, sempre considerando a inflação acumulada em 12 meses. Isso dá ao Banco Central um acompanhamento mais permanente do comportamento dos preços, mas também aumenta a sensibilidade a choques externos, como câmbio, petróleo e conflitos internacionais.
No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de dezembro, o Banco Central reduziu para 3,5% a projeção do IPCA em 2026. Esse número, porém, deve ser revisto na próxima edição do documento, prevista para o fim de março, já que o cenário internacional piorou e o dólar continua influenciando a trajetória da inflação.
O mercado está mais desconfiado. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal divulgada pelo próprio Banco Central, a inflação deve terminar o ano em 4,1%, ainda abaixo do teto da meta, mas acima das projeções vistas antes do agravamento da guerra no Oriente Médio. Há um mês, a estimativa era de 3,95%.
A redução da Selic costuma ser vista como um estímulo à economia. Com juros menores, empréstimos e financiamentos tendem a ficar mais baratos, o que ajuda empresas a investir e consumidores a comprar. Esse movimento pode aquecer a atividade econômica, mas também exige atenção, porque crédito mais acessível pode reacender a inflação se os preços já estiverem pressionados.
O próprio Banco Central manteve em 1,6% a projeção de crescimento da economia em 2026. O mercado financeiro está um pouco mais otimista. No Focus, a estimativa para o PIB do próximo ano é de alta de 1,83%.
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O corte de 0,25 ponto foi pequeno, mas tem peso simbólico e prático. Simbólico porque encerra um longo período sem alívio nos juros. Prático porque começa a mexer com o custo do crédito, com as apostas do mercado e com a expectativa sobre os próximos passos do Copom. A dúvida agora é se o Banco Central seguirá reduzindo a Selic ou se a guerra, o petróleo e a inflação vão frear esse movimento logo no início.