COP 30: Lula anuncia fundo global financiado por petróleo para apoiar transição energética

Da redação de LexLegal
O Brasil pretende criar um fundo internacional destinado a financiar a transição energética de países em desenvolvimento, utilizando parte da receita gerada pela exploração de petróleo. O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (7), durante a abertura da segunda sessão temática da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém.
Leia também: Dez anos após tragédia de Mariana, vítimas ainda lutam por justiça
Ao discursar diante de chefes de Estado e representantes multilaterais, Lula afirmou que o planeta já não suporta a continuidade do modelo energético baseado em combustíveis fósseis. O petróleo, lembrou, permanece como uma das principais fontes de energia da economia mundial, mas sua queima libera gases poluentes e intensifica o aquecimento global.
“A Terra não comporta mais” a dependência desse tipo de energia, disse o presidente, ao justificar a proposta de usar recursos provenientes da indústria petrolífera como instrumento para acelerar a descarbonização em países de renda média e baixa.
Lula também sugeriu que a comunidade internacional discuta mecanismos de “troca de dívida por financiamento de iniciativas” voltadas à mitigação das mudanças climáticas e à expansão de energias limpas — solução defendida por especialistas como estratégica para enfrentar a pobreza energética em nações vulneráveis.
O presidente citou ainda os conflitos internacionais como fatores que dificultam a agenda climática e desviam esforços diplomáticos da urgência ambiental.
Minerais críticos e energia limpa
Em sua fala, Lula afirmou que é indispensável ampliar o debate global sobre minerais críticos — como lítio, cobalto e nióbio— essenciais para a produção de baterias e tecnologias de baixo carbono. Para ele, a transição energética depende não apenas da matriz elétrica, mas da estruturação de cadeias produtivas sustentáveis para esses insumos estratégicos.
O presidente defendeu uma matriz energética diversificada, a expansão acelerada das fontes renováveis e maior rapidez no uso de combustíveis sustentáveis, como biocombustíveis e hidrogênio verde. Segundo ele, nenhuma dessas medidas avançará sem compromissos efetivos dos países signatários.
Veja também: Desafios jurídicos ainda travam o investimento estrangeiro no Brasil
Lula lembrou que o Acordo de Paris, marco global da ação climática que completa dez anos em 2025, teve evolução tímida. De acordo com o presidente, a participação dos combustíveis fósseis na matriz energética global caiu de 83% para apenas 80% desde 2015, ritmo considerado insuficiente para limitar o aquecimento a 1,5°C.