Déficit nas contas externas sobe para US$ 5,1 bilhões em junho, aponta Banco Central

Déficit nas contas externas sobe para US$ 5,1 bilhões em junho, aponta Banco Central
Movimentação cresce 3,6% e reforça papel central do complexo na economia. Vista aérea do Porto de Santos, que alcançou em 2025 a maior movimentação de cargas de sua história/Divulgação/Porto de Santos
Publicado em 27/07/2025 às 10:00

Da redação de LexLegal

O Banco Central (BC) informou que as contas externas do Brasil registraram déficit de US$ 5,131 bilhões em junho deste ano. O resultado foi pior que o saldo negativo de US$ 3,368 bilhões no mesmo mês de 2024, em razão da redução do superávit comercial e do aumento dos déficits em renda primária (juros, lucros e dividendos) e serviços.

De acordo com o BC, o déficit acumulado em 12 meses até junho chegou a US$ 73,135 bilhões, o equivalente a 3,42% do Produto Interno Bruto (PIB). No período equivalente encerrado em junho de 2024, o déficit era de US$ 28,893 bilhões (1,28% do PIB). A autoridade monetária destacou que, embora os déficits em 12 meses vinham apresentando tendência de queda, a trajetória se inverteu a partir de março de 2024.

Balança comercial e serviços

As exportações de bens somaram US$ 29,285 bilhões em junho, um crescimento de 0,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. Já as importações chegaram a US$ 23,998 bilhões, alta de 2,8%. Com isso, a balança comercial registrou superávit de US$ 5,287 bilhões no mês, abaixo dos US$ 5,661 bilhões de junho de 2024.

O déficit na conta de serviços – que engloba viagens internacionais, transporte, aluguel de equipamentos, seguros, entre outros – subiu para US$ 4,518 bilhões, ante US$ 4,358 bilhões em igual período do ano anterior. O BC destacou aumento de 24,6% nas despesas líquidas com telecomunicações, computação e informações (US$ 623 milhões); 22,8% em propriedade intelectual (US$ 968 milhões), ligado a serviços como streaming; 7,8% em aluguel de equipamentos (US$ 1 bilhão); e 8% em transportes (US$ 1,2 bilhão).

Na conta de viagens internacionais, o déficit cresceu 17% em relação a junho de 2024, alcançando US$ 1,3 bilhão, resultado de receitas de US$ 539 milhões com estrangeiros no Brasil e despesas de US$ 1,832 bilhão de brasileiros no exterior.

Rendas e financiamento

O déficit em renda primária, que inclui lucros, dividendos, juros e salários, atingiu US$ 6,202 bilhões, 25,5% acima do registrado em junho do ano passado (US$ 4,940 bilhões). Já a conta de renda secundária – formada por doações e transferências unilaterais – teve superávit de US$ 302 milhões, ante US$ 269 milhões no mesmo mês de 2024.

Os investimentos diretos no país (IDP) totalizaram US$ 2,810 bilhões em junho, ante US$ 6,269 bilhões no mesmo mês de 2024. Apesar da queda, o BC afirmou que o déficit externo está financiado por capitais de longo prazo e com “fluxos e estoques de boa qualidade”. No acumulado de 12 meses, o IDP somou US$ 67,017 bilhões, 3,14% do PIB.

Em relação aos investimentos em carteira no mercado doméstico, houve entrada líquida de US$ 2,326 bilhões no mês. O montante foi composto por ingressos líquidos de US$ 4,560 bilhões em títulos da dívida e saídas líquidas de US$ 2,234 bilhões em ações e fundos de investimento.

As reservas internacionais brasileiras encerraram junho em US$ 344,440 bilhões, um aumento de US$ 2,981 bilhões em relação ao mês anterior.

Revisão do balanço de pagamentos

O BC também apresentou a revisão ordinária do balanço de pagamentos e da posição de investimento internacional de 2024. O ajuste reduziu o déficit em transações correntes em US$ 3,3 bilhões, de US$ 61,2 bilhões (2,81% do PIB) para US$ 57,9 bilhões (2,66% do PIB).


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