Congresso cria lei para punir quem interdita idoso para roubar bens

Congresso cria lei para punir quem interdita idoso para roubar bens
Projeto de lei prevê perda de herança para familiares que fraudarem processos de interdição/Freepik
Publicado em 18/02/2026 às 13:00

Da redação de LexLegal

A Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa apresentou o projeto de lei que endurece as punições contra a violência patrimonial. Batizada de Lei Ernesto Iannoni, a proposta altera o Código Civil e o Estatuto da Pessoa Idosa para frear o uso abusivo de interdições judiciais como ferramenta de espoliação financeira.

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A medida reage a uma distorção do sistema onde processos de tutela são usados para afastar o idoso de sua vida civil e capturar seu patrimônio. “Quando a interdição é usada para afastar o idoso da própria vida civil e capturar seu patrimônio, não há proteção. Há violência institucionalizada, muitas vezes chancelada pelo próprio sistema”, afirma o advogado Rafael Carneiro, que atua no caso emblemático do empresário que dá nome à lei.

O nome da lei homenageia Ernesto Iannoni, fundador de uma gigante do setor de cadeiras, que denunciou publicamente ter sido alvo de tentativas de interdição para ser afastado de seus negócios. O caso expôs a fragilidade do sistema jurídico brasileiro diante de golpes financeiros aplicados dentro do próprio núcleo familiar.

O texto, de autoria do deputado Eriberto Medeiros (PSB/PE), estabelece que o responsável por interdições fraudulentas ou com desvio de finalidade perca o direito de herdar os bens da vítima. A punição se aplica assim que houver uma decisão judicial definitiva reconhecendo a má-fé na tentativa de controle dos bens do idoso.

Punição atinge o bolso e a sucessão de bens

Além da sanção sucessória, o projeto amplia as penas para crimes de apropriação indevida de bens previstos no Estatuto da Pessoa Idosa. O foco é romper com a tradição de tratar esses conflitos apenas como brigas familiares, transformando o abuso em um crime com consequências patrimoniais severas para o agressor.

A exclusão da herança é o ponto mais forte da proposta e serve como freio para herdeiros que tentam antecipar o controle da fortuna familiar através da justiça. Especialistas apontam que, sem punições concretas, a interdição deixa de ser uma medida de proteção para se tornar uma estratégia de mercado.

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“Sem responsabilização concreta, a interdição deixa de ser exceção protetiva e passa a funcionar como estratégia patrimonial. O projeto recoloca limites claros e devolve centralidade à autonomia do idoso”, pontua Rafael Carneiro. A proposta agora segue para análise em outras comissões do Congresso Nacional.

SÃO PAULO WEATHER