Conflito no Oriente Médio ameaça fluxo de 25% do petróleo mundial e abre espaço para o Brasil

Conflito no Oriente Médio ameaça fluxo de 25% do petróleo mundial e abre espaço para o Brasil
Estreito de Ormuz concentra cerca de 25% do petróleo exportado no mundo e é ponto estratégico do mercado global de energia. IBP alerta que risco no Estreito de Ormuz pode afetar preços globais/Reprodução/Nasa
Publicado em 04/03/2026 às 8:51

Da redação de LexLegal

O agravamento do conflito no Oriente Médio pode provocar impacto direto no mercado global de energia. O alerta foi feito pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), que aponta risco de interrupções no fluxo de petróleo e gás caso o Estreito de Ormuz seja afetado pelas hostilidades.

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O estreito é uma das rotas mais estratégicas do comércio internacional de energia. Pelo local circula diariamente cerca de 25% de todo o petróleo exportado no mundo, além de volumes relevantes de gás natural provenientes de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e Omã.

Para o IBP, qualquer bloqueio ou ataque à infraestrutura energética da região pode alterar rapidamente a dinâmica de preços globais. A tensão militar eleva a incerteza sobre o abastecimento e aumenta a volatilidade no mercado de energia.

Um dos impactos imediatos, segundo a entidade, tende a ser a pressão sobre os preços do petróleo e do gás natural. A interrupção do fluxo de energia afetaria principalmente países asiáticos altamente dependentes dessas importações.

China, Índia e Japão estão entre os principais destinos do petróleo que passa pela região. Caso o transporte seja prejudicado, o abastecimento dessas economias pode sofrer impactos relevantes.

“A perda de competitividade dessas economias e a pressão sobre os preços do petróleo e gás natural são consequências diretas caso as hostilidades se prolonguem”, afirma o Instituto em nota.

Nesse ambiente de instabilidade, o IBP aponta que o Brasil pode assumir um papel mais relevante como fornecedor de energia no mercado internacional. A entidade destaca que o país reúne condições de oferecer previsibilidade comercial.

Segundo o Instituto, o petróleo brasileiro apresenta características valorizadas pelo mercado internacional. O produto nacional possui baixo teor de enxofre e menor intensidade de carbono em comparação com outros tipos de petróleo.

O Brasil vem ampliando sua produção nos últimos anos. Atualmente, o país ocupa a posição de 9º maior exportador mundial de petróleo.

Outro dado relevante é o destino dessas exportações. Cerca de 67% do petróleo exportado pelo Brasil tem como destino o mercado asiático, justamente uma das regiões mais sensíveis a eventuais interrupções no Estreito de Ormuz.

O IBP avalia que esse cenário reforça o potencial do país para ampliar sua participação no comércio global de energia, especialmente em momentos de tensão geopolítica.

A entidade também chama atenção para a necessidade de continuidade dos investimentos no setor de óleo e gás. A expansão da produção é vista como elemento central para manter a competitividade brasileira.

Entre as áreas consideradas estratégicas está a Margem Equatorial, apontada como nova fronteira exploratória para o país. O desenvolvimento dessas regiões pode ampliar a capacidade produtiva nacional.

“[Tudo isso] para a garantia da segurança energética, aumento da oferta exportadora e para se evitar que o país volte à condição de importador de petróleo na próxima década.”

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O debate sobre segurança energética ganhou força nos últimos anos diante de conflitos geopolíticos e da disputa global por recursos estratégicos. Para especialistas do setor, a diversificação das fontes de fornecimento e a estabilidade regulatória são fatores decisivos para o posicionamento de países exportadores no mercado internacional.

SÃO PAULO WEATHER