Conferência envolve 61 mil escolas em ações por justiça climática

Conferência envolve 61 mil escolas em ações por justiça climática
Escolas têm até 30 de junho para realizar conferência local sobre meio ambiente e justiça climática/Divulgação
Publicado em 27/06/2025 às 16:30

Da redação de LexLegal

As escolas brasileiras do ensino fundamental que possuem turmas do 6º ao 9º ano têm até segunda-feira, 30 de junho, para realizar a etapa escolar da VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA). A iniciativa, que envolve os Ministérios da Educação (MEC), do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), tem como tema central: “Vamos transformar o Brasil com educação e justiça climática”.

A proposta é fortalecer o papel da escola como espaço de formação cidadã e reflexão sobre mudanças climáticas, justiça ambiental e ações concretas de enfrentamento dos desafios ecológicos. O contexto internacional dá peso ao evento: o Brasil será sede da COP30, Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, entre 6 e 21 de novembro, em Belém (PA).

Mobilização nacional

A CNIJMA mobiliza todas as escolas públicas e privadas com turmas entre o 6º e o 9º ano. Segundo o MEC, 61.806 escolas estão aptas a participar, com potencial para envolver mais de 775 mil professores e 9 milhões de estudantes.

Para registrar a participação, as escolas devem preencher um formulário no site oficial da conferência até o dia 5 de julho, usando o código da unidade fornecido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Esse registro é essencial para avançar às próximas etapas, que incluem conferências regionais, estaduais e a nacional, marcada para 6 a 10 de outubro, em Brasília.

Etapas do processo

  • Etapa escolar: até 30 de junho
  • Etapas regionais e municipais (opcionais): conforme regulamento das Comissões Organizadoras Estaduais
  • Etapa estadual: até 15 de agosto
  • Etapa nacional: de 6 a 10 de outubro

Participação e legado

Desde sua criação, em 2003, a Conferência Nacional Infantojuvenil já mobilizou mais de 20 milhões de pessoas. Participam crianças e adolescentes (como delegados), jovens de 18 a 29 anos (como mobilizadores e facilitadores), além de professores, gestores e representantes da comunidade escolar.

Cada edição mobiliza, em média, 14 mil escolas. Ao longo do tempo, a conferência ajudou a consolidar políticas de educação ambiental, como a criação das Comissões de Meio Ambiente e Qualidade de Vida (Com-Vida), que incentivam o diálogo contínuo entre escola e comunidade.

Vivência e experiência

A geógrafa e professora Roseneide Furtado, da rede pública do Ceará, é uma das vozes mais experientes no tema. Desde 2009, ela participa das conferências e hoje integra a comissão organizadora estadual da VI edição.

“Passei a me engajar mais, buscando maior proximidade com a Secretaria da Educação do Estado e auxiliando o processo nas demais escolas, visitando as escolas municipais e estaduais, acompanhando a produção dos alunos. Trata-se de um processo gratificante, pois observamos a concretização das ações. A Conferência é um legado importante, pois fomenta projetos e dá vida às iniciativas nas escolas”, afirmou Roseneide.

Nesta quinta-feira (26), a Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação 9, ligada à Secretaria da Educação do Ceará, realizou uma conferência regional reunindo escolas de seis municípios: Cascavel, Beberibe, Chorozinho, Horizonte, Pacajus e Pindoretama. Foram eleitos cinco projetos e delegações para representar a região na etapa estadual, prevista até 15 de agosto.

Educação ambiental como política pública

Mais do que um evento pontual, a CNIJMA propõe consolidar a educação ambiental como política pública permanente. Ao incentivar a formação de comissões, capacitar educadores e engajar estudantes, a conferência busca fomentar ações estruturantes nas escolas, com impacto direto nas comunidades e no desenvolvimento sustentável local.

SÃO PAULO WEATHER