Como será o rito do julgamento de Bolsonaro e aliados no STF?

Como será o rito do julgamento de Bolsonaro e aliados no STF?
© Antonio Augusto/STF
Publicado em 18/08/2025 às 7:00

Da redação de LexLegal

No próximo dia 2 de setembro, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciará o julgamento que pode resultar na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete aliados, acusados de participação em uma trama golpista para tentar reverter o resultado das eleições de 2022.

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A sessão está marcada para as 9h e será aberta pelo presidente da turma, ministro Cristiano Zanin. Em seguida, o relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, fará a leitura do relatório, que resume todas as etapas percorridas desde o início das investigações até as alegações finais, concluídas em 13 de agosto. Após a leitura, terão a palavra o procurador-geral da República e as defesas dos acusados.

Réus e acusações

O julgamento diz respeito ao núcleo crucial da denúncia da PGR, formado por Bolsonaro e seus aliados mais próximos. Estão no processo:

  • Jair Bolsonaro – ex-presidente da República;
  • Alexandre Ramagem – ex-diretor da Abin e atual deputado federal;
  • Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF;
  • Augusto Heleno – ex-ministro do GSI;
  • Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto – ex-ministro e candidato a vice em 2022;
  • Mauro Cid – ex-ajudante de ordens da Presidência.

Todos respondem por organização criminosa armadatentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direitogolpe de Estadodano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

No caso de Alexandre Ramagem, parte das acusações foi suspensa em razão de sua condição de parlamentar federal, conforme prevê a Constituição. Ele continua réu pelos crimes de golpe de Estado, organização criminosa armada e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Papel da PGR e defesas

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, terá até uma hora para apresentar a acusação em plenário. Na sequência, os advogados dos réus farão as sustentações orais, também com prazo máximo de uma hora cada.

Rito de votação

O relator Alexandre de Moraes será o primeiro a votar, analisando questões preliminares apresentadas pelas defesas, como pedidos de nulidade da delação de Mauro Cid e alegações de cerceamento de defesa. Após decidir se submete essas questões imediatamente à turma ou se as acumula ao mérito, Moraes dará seu voto sobre condenação ou absolvição.

Na ordem, votarão os ministros Flávio DinoLuiz FuxCármen Lúcia e, por último, Cristiano Zanin. A decisão será tomada por maioria simples de três dos cinco votos.

Um pedido de vista pode adiar o julgamento por até 90 dias, conforme o regimento interno do STF.

Se houver condenação, a prisão dos réus não será imediata e só poderá ocorrer após o julgamento dos recursos. Além disso, militares e delegados têm direito a prisão especial, o que significa que não seriam encaminhados a presídios comuns.

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A PGR dividiu a denúncia em quatro núcleos, sendo o núcleo 1, com Bolsonaro e seus principais aliados, o primeiro a ser analisado. Os demais núcleos estão em fase de alegações finais e deverão ser julgados ainda em 2025.


SÃO PAULO WEATHER