Como as organizações precisam se adaptar ao atual conceito de sustentabilidade

Como as organizações precisam se adaptar ao atual conceito de sustentabilidade
O consumidor tende a se conscientizar de seu poder, e de suas escolhas, passando a preferir/escolher “marcas” que sejam realmente melhores, mais conscientes, mais responsáveis, mais acolhedoras/Freepik
Publicado em 04/06/2025 às 8:11

Leonardo Barém Leite*

O atual conceito de sustentabilidade corporativa, que engloba não apenas o faturamento, o crescimento e a longevidade das empresas, mas também a efetiva melhoria contínua das organizações (através da inovação e da criatividade, aliada a uma evolução do modelo de negócios, com a aplicação da governança corporativa, do respeito e da boa utilização consciente do “meio ambiente”, e na mesma linha, dos direitos humanos e sociais – o chamamos de E-ESG), pressupõe evolução permanente.

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E a “pressão” por diversos aspectos de evolução e melhoria vem da própria organização, dos investidores, dos parceiros estratégicos, dos colaboradores, e do mercado em geral – o que inclui uma figura central, o cliente (e por vezes o consumidor).

Considerando esse conjunto de agentes e fatores como “a sociedade”, é ela a principal “força” para mudanças e melhorias (logicamente, em conjunto com a legislação, requisitos regulatórios, sanitários, geopolíticos etc), e percebemos ainda não se verifica (em especial no Brasil) essa “pressão” ‘por aqui’.

Tanto por ausência de uma realidade econômica de pleno emprego (do ponto de vista dos colaboradores), quanto de “renda média” (no caso do consumidor), e ainda por segmentos em que a “concorrência” seja nula ou muito reduzida, a sociedade não tem condições de efetivamente escolher e mostras sua força.

Esse é um dos motivos pelos quais ainda existem empresas e organizações que pouco se preocupam com a boa governança corporativa, o ‘compliance”, a sustentabilidade corporativa plena (E-ESG), e em certos casos até mesmo com a sua imagem e reputação.

Temos diversos exemplos em que força de trabalho e consumidor tornam-se uma espécie de “refém” de algumas “marcas”, empresas e produtos, e tantos outros em que certos agentes e setores regulares sofrem pouca influência efetiva de agências reguladoras; o que costuma gerar uma certa acomodação e uma ‘zona de conforto”.

Essa realidade brasileira tem sido crescentemente afetada (e em alguns casos alterada) por um firme aumento de consciência geral na sociedade, tanto local quanto internacional, que vem percebendo que deve tomar decisões de trabalho, parceria e escolha de fornecimento, melhores.

Questões geopolíticas também estão se fortalecendo e impactando decisões e escolhas de países e de blocos econômicos, que por sua vez estão passando a incluir mais fatores e aspectos em suas análises de regulações, legislações, parcerias comerciais, determinações de investimento e de financiamento. E, essa “pressão” está chegando!

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Em paralelo, fontes de investimento, financiamento e fomento, nacionais e internacionais, estão se “movimentando” para criar mecanismos de pressão e linhas específicas de apoio para a criação (por vezes um tanto “forçada”) de condições “especiais” para projetos e empresas mais conscientes e responsáveis.

O impacto no dia a dia da maioria das organizações locais ainda é relativamente pequeno, e a conscientização geral ainda é lenta – mas, estão chegando!

Alerta-se, então, às organizações de forma geral, que o que hoje ainda é primordialmente optativo e voluntário, está deixando de ser; e em pouco tempo passará a ser total ou parcialmente obrigatório – por pressão legislativa, regulatória, comercial ou social (ou todas essas em conjunto).

Quem não se adaptar por razões de consciência ou de estratégia, certamente perderá parcerias, “apelo de marca”, colaboradores, e mercado – com custos e riscos potencialmente muito altos.

O consumidor tende a se conscientizar de seu poder, e de suas escolhas, passando a preferir/escolher “marcas” que sejam realmente melhores, mais conscientes, mais responsáveis, mais acolhedoras, mais
inclusivas, e que se preocupem com questões que lhe são importantes. E esse movimento tende a ocorrer, também, com parceiros, investidores, colaboradores etc.

O tema tem sido um tanto distorcido por razões ideológicas, partidárias e de certa forma políticas, em alguns países, mas tudo indica que sejam pontos “passageiros” e aliados a “este ou aquele” governante do “momento” – não refletindo uma efetiva tendência a médio prazo.

Temos observado pressões sociais e ambientais de países e de blocos econômicos, que já privilegiam, ou “cortam” fornecedores que não se adaptarem aos seus novos padrões e critérios de “compra”, assim como órgãos reguladores, agências e segmentos de listagem (como a SEC e a própria CVM, assim como diversas “bolsas de valores”) – e que por sua vez impactam negócios, segmentos, empresas, e cadeias de valor (como u todo).

Quem perceber esse movimento de evolução da sociedade, e seus reflexos, ainda que lentos, no Brasil e no Planeta, tenderá a manter, e a melhorar/ampliar, sua imagem, sua reputação, seus colaboradores, seus parceiros, e seus clientes. E quem não perceber, tenderá a ter muita dificuldade para conseguir atrair e manter, também sua imagem, reputação, colaboradores e assim por diante.

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Percebamos essas questões “enquanto é tempo’, afastando pontos meramente ideológicos e partidários, e tomemos decisões de negócios, de forma estratégica, fortalecendo esses temas nas organizações, ajustando e adaptando estruturas, instalações, fluxos e projetos, com apoio de grupos internos ou externos que ajudem efetivamente a termos empresas e negócios melhores.

*Leonardo Barém Leite é sócio sênior do escritório Almeida Advogados, especialista em Direito Societário e Contratos, Fusões e Aquisições, Governança Corporativa, Sustentabilidade e ESG “Compliance”, Projetos e Operações Empresariais e Direito Corporativo.

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