Como a Aleve mudou o jeito de criar empresas no Direito e ajudou a redesenhar o mercado jurídico

Priscila Spadinger*

Ontem, meu cronômetro falhou. Eu deveria ter enviado este artigo rigorosamente no prazo, mas o “furacão” do empreendedorismo real me atravessou de forma avassaladora. Enquanto eu tentava colocar as ideias no papel, a Aleve LegalTech Ventures S/A ocupava as manchetes dos principais veículos de negócios e inovação do país, anunciando um novo e ambicioso capítulo de nossa história: a estruturação de um fundo de R$ 60 milhões para continuar impulsionando o ecossistema de legaltechs. Esse “atraso”, portanto, não foi fruto de inércia, mas do dinamismo próprio de quem não apenas observa o mercado, mas o molda em tempo real.
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No próximo dia 29 de março, a Aleve completa 5 anos de vida. Olhando para trás, percebo que não construímos apenas uma Holding de Participações em startups LegalTechs, mas sim que consolidamos uma nova categoria de pensamento para o profissional do Direito. Saímos da era da liturgia passiva para a era da execução estratégica.
O conceito de venture builder: o “suor” antes do “cheque”
Ainda existe uma confusão natural no mercado brasileiro sobre o que define uma Venture Builder (VB) e o que a diferencia de um fundo de Venture Capital (VC) ou de uma startup que nasce de forma orgânica e isolada. A distinção é vital para entender por que a Aleve tem conseguido entregar resultados tão expressivos em um setor tão conservador quanto o jurídico.
Enquanto o venture capital atua como um investidor financeiro que “aposta na corrida” ao injetar capital em rodadas específicas, a venture builder é a entidade que “ajuda a construir o carro e corre junto”. Nós somos fábricas de startups. Não esperamos que um empreendedor bata à nossa porta com um produto pronto; nós criamos a tese, validamos a dor no mercado de legaltechs, recrutamos o talento e fornecemos toda a infraestrutura operacional.
A vantagem competitiva é clara: uma startup pura muitas vezes morre no “vale da morte” porque o fundador precisa ser, simultaneamente, o gênio do produto, o vendedor e o administrativo. Na Aleve, nós mitigamos esse risco. O empreendedor foca na solução, enquanto nossa holding garante que a estrutura seja robusta o suficiente para suportar o crescimento exponencial. Nós não apenas damos o capital; nós damos o método, o canal de vendas e a governança.
Governança S/A: o pilar de confiança da Aleve
Um dos grandes diferenciais da Aleve, que nos permitiu chegar aos 5 anos com esse nível de tração, é a nossa estrutura de governança. Operar como uma Sociedade Anônima (S/A) desde cedo não foi uma escolha estética, mas uma decisão estratégica de transparência e segurança para nossos acionistas.
Diferente de estruturas informais de investimento, a Aleve possui processos rigorosos de compliance e prestação de contas. Nossa governança atua como um filtro de qualidade para o mercado de M&A. Quando uma startup nasce e cresce sob o guarda-chuva da Aleve, ela já herda uma organização contábil, jurídica e administrativa de alto nível. Isso reduz drasticamente o risco do investidor e acelera a due diligence em processos de venda. Nós tratamos o capital do nosso acionista com o rigor que o mercado de capitais exige, garantindo que cada tese desenvolvida tenha sustentabilidade financeira e jurídica desde o primeiro dia.
Quando a tese se transforma em prova de conceito: criaAI, RevisaPrev e outras quase 20 legaltechs construídas e investidas
O mercado de legaltechs é, por natureza, cético. Advogados são treinados para buscar evidências, e no mundo dos negócios, as únicas evidências que importam são os exits (saídas) e os aportes de terceiros. A história da Aleve nesses 5 anos é escrita por esses marcos.
O caso da criaAI é um exemplo emblemático de como a metodologia de venture building acelera o ciclo de vida de uma empresa. Ela nasceu dentro do nosso ecossistema para resolver gargalos operacionais através de inteligência artificial aplicada. Em apenas um ano (um tempo recorde para os padrões de tecnologia) a empresa não apenas validou sua proposta de valor, como foi vendida para um player estratégico. Esse movimento cumpriu o ciclo completo do nosso modelo: identificar a oportunidade, construir a solução, escalar e remunerar nossos acionistas.
Já a RevisaPrev ilustra a força da nossa rede e a confiança que o mercado deposita na nossa curadoria. Quando abrimos uma rodada de captação interna para os nossos investidores-anjo, o montante necessário foi captado em impressionantes duas horas. Isso não acontece por sorte; acontece porque o investidor sabe que a Aleve já fez o “dever de casa” de auditoria e validação. Esse sucesso inicial pavimentou o caminho para que gigantes como a Domo Capital e a Bossa Nova entrassem no negócio. Hoje, a RevisaPrev não é apenas uma startup; é uma solução madura, disputada no mercado por sua eficiência e capilaridade.
O futuro das legaltechs e o advogado empreendedor
Olhando para os próximos 5 anos, vejo um horizonte onde a tecnologia não será mais um diferencial, mas o pré-requisito para a existência de qualquer banca ou departamento jurídico. O futuro das legaltechs no Brasil passa pela integração profunda de dados e pela automação inteligente, mas, acima de tudo, passa pela mentalidade do advogado.
O “advogado do futuro” é aquele que compreende que o Direito é uma plataforma de soluções, não apenas um conjunto de normas. Se você sente que o modelo tradicional limita o seu potencial de escala, o convite é para mudar de lado na mesa. Empreender no Direito não significa abandonar a técnica jurídica, mas dar a ela uma escala que o trabalho artesanal jamais permitiria.
Na Aleve, aprendemos que o segredo não está apenas na “ideia genial”, mas na resiliência do ecossistema que a sustenta. Nós construímos startups para que elas voem alto, gerando riqueza e modernizando o sistema jurídico brasileiro.
Enquanto celebramos nossa trajetória no próximo dia 29 de março, o convite que deixo é para a ação. O atraso de ontem no envio deste artigo foi o preço de estar na linha de frente da execução. E garanto a vocês: ver uma ideia se transformar em uma empresa de milhões, que resolve a vida de milhares de profissionais, vale cada minuto de correria.
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A Aleve LegalTech Ventures S/A está apenas começando. O novo fundo que acaba de ser anunciado é o combustível para os próximos anos de inovação. Se você quer ser um protagonista dessa história e não apenas um espectador, o momento de construir é agora.
*Priscila Spadinger é CEO da Aleve LegalTech Ventures S/A. Lidera iniciativas de inovação jurídica e acompanha de perto a jornada de dezenas de legaltechs brasileiras.
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