Comissão irá reexaminar possibilidade de atentando político e assassinato de Juscelino Kubitschek

Da redação de LexLegal
A Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, anunciou que retomará as investigações sobre a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, ocorrida em 1976. Desde o período da ditadura militar, o caso gera controvérsias e há quem defenda a possibilidade de que JK tenha sido alvo de um atentado político.
Extinta durante a gestão de Jair Bolsonaro, a CEMDP foi recriada recentemente e se reúne em Recife (PE) nesta quinta (13) e sexta-feira (14) para debater casos históricos, incluindo o de JK. Um dos pontos da pauta será a manifestação de Nilmário Miranda, assessor especial do Ministério, sobre a necessidade de aprofundar a análise das circunstâncias do acidente que resultou na morte do ex-presidente.
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A solicitação para reexaminar o caso partiu do ex-vereador paulistano Gilberto Natalini, em 2024. Natalini, que liderou a Comissão Municipal da Verdade em São Paulo, argumentou que novas informações e interpretações podem lançar luz sobre o que de fato aconteceu na fatídica tarde de 22 de agosto de 1976.
As circunstâncias da morte
Juscelino Kubitschek morreu após o Chevrolet Opala em que estava perder o controle e atravessar o canteiro central da rodovia Presidente Dutra, colidindo de frente com uma carreta no sentido oposto. O acidente ocorreu na altura do Km 165, em direção ao Rio de Janeiro. Tanto JK quanto seu motorista, Geraldo Ribeiro, faleceram na colisão.
A versão oficial divulgada durante a ditadura militar foi de que o carro de JK havia sido atingido por um ônibus da viação Cometa durante uma tentativa de ultrapassagem, o que teria causado o descontrole. Essa explicação foi confirmada posteriormente pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) em 2014.
No entanto, outras apurações, realizadas por comissões estaduais da Verdade de São Paulo e Minas Gerais, além da Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, discordaram dessa conclusão. Esses grupos sustentam que Juscelino Kubitschek foi vítima de um atentado político. Segundo essas investigações, o Opala não colidiu com o ônibus, mas perdeu o controle devido a uma ação externa, que poderia ter sido uma sabotagem mecânica, um disparo de arma de fogo ou até o envenenamento do motorista.
Investigação do Ministério Público
Em 2019, o Ministério Público Federal concluiu um inquérito civil de seis anos sobre o caso. O relatório rejeitou definitivamente a hipótese de colisão com o ônibus da viação Cometa, mas também afirmou não haver provas suficientes para confirmar ou descartar a possibilidade de um atentado. De acordo com o MPF, as evidências disponíveis não permitem determinar as causas exatas do acidente.
A decisão de reexaminar o caso reflete o esforço do Ministério dos Direitos Humanos em rever episódios não resolvidos da história brasileira. A audiência pública em Recife buscará definir os próximos passos para o aprofundamento da investigação.
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