Comércio com a China gera mais empregos no Brasil do que com outros parceiros

Comércio com a China gera mais empregos no Brasil do que com outros parceiros
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Publicado em 15/09/2025 às 12:30

Da redação de LexLegal

A parceria econômica entre Brasil e China tem se consolidado como a mais relevante para a geração de empregos formais no país. Um estudo do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), aponta que entre 2008 e 2022 o número de postos de trabalho ligados às exportações para a China cresceu 62%, avanço superior ao registrado nas relações com Estados Unidos (32,3%), Mercosul (25,1%), União Europeia (22,8%) e América do Sul (17,4%).

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No mesmo período, os empregos formais associados às importações de produtos chineses subiram 55,4%, também acima dos demais blocos e parceiros. Isso fez da China a maior empregadora em atividades ligadas às importações, com mais de 5,5 milhões de trabalhadores — superando a União Europeia. Já no setor exportador, o comércio sino-brasileiro responde por cerca de 2 milhões de vagas, ainda abaixo de Mercosul, União Europeia, América do Sul e Estados Unidos em números absolutos.

“Esses setores, embora altamente competitivos e estratégicos, geram proporcionalmente menos postos de trabalho devido ao seu alto nível de mecanização em comparação a segmentos industriais mais diversificados, como aqueles que têm maior peso nas exportações brasileiras para Estados Unidos, União Europeia e Mercosul”, afirma a analista do CEBC, Camila Amigo.

Impacto macroeconômico

A China é hoje o principal parceiro econômico do Brasil, responsável em 2024 por 28% das exportações brasileiras e por 24% das importações. O comércio bilateral garantiu ao Brasil um superávit de US$ 276 bilhões em dez anos, o que equivale a metade de todo o saldo positivo registrado pelo país no mesmo período.

De acordo com o estudo, esse resultado foi crucial para fortalecer as reservas internacionais, reduzir a vulnerabilidade externa e proteger a economia brasileira contra choques internacionais. “A manutenção do superávit comercial do Brasil com a China por tantos anos contribuiu para reduzir a vulnerabilidade externa e elevar as reservas internacionais do país”, assinala o levantamento.

Perspectivas

Com o agravamento da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos — marcado pela aplicação de tarifas de até 50% sobre parte dos produtos brasileiros —, a relação com a China ganha ainda mais relevância.

Para a analista Camila Amigo, a solidez dessa parceria está na complementaridade das economias. “A China depende do Brasil como fornecedor estável de alimentos, energia e minerais, enquanto o Brasil garante acesso ao maior mercado consumidor do mundo e importa produtos importantes para a produção nacional”, avalia.

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Ela acrescenta que o futuro do comércio bilateral deve considerar aspectos além das commodities. “O futuro da relação comercial sino-brasileira deve estar baseado em confiança, buscar por diversificação das exportações, sustentabilidade e inclusão socioeconômica, aproveitando não apenas a demanda por commodities, mas também o espaço para novos produtos e novas empresas nesse comércio”, conclui.

SÃO PAULO WEATHER