CNI vê “avanço concreto” em diálogo entre Lula e Trump sobre tarifas dos EUA

Da redação de LexLegal
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou como um “avanço concreto” a videoconferência realizada nesta segunda-feira (6) entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro teve como foco as tarifas adicionais impostas a produtos brasileiros, um dos principais entraves comerciais entre os dois países desde 2024.
Leia também: A validade de atos processuais praticados por inteligência artificial
De acordo com a CNI, a conversa representou um gesto político importante de reaproximação e respeito mútuoentre os governos.
“Para a indústria, é muito relevante esse avanço das tratativas. Desde o início, nós defendemos o diálogo, pautado pelo respeito e pela significância desta parceria bicentenária. Vamos acompanhar e contribuir com o que for possível”, declarou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Durante o diálogo, Lula solicitou a Trump a revogação da tarifa adicional sobre produtos brasileiros, medida que, segundo a confederação, pode reabrir espaço para exportações no valor de US$ 7,8 bilhões anuais. O pedido foi feito no contexto da Ordem Executiva nº 14.346, assinada por Trump em 5 de setembro, que criou o anexo Potential Tariff Adjustments for Aligned Partners — instrumento que permite reduções ou isenções tarifárias para países considerados parceiros estratégicos em comércio e segurança.
“O que está em jogo não é um ganho extra para o Brasil, mas a recuperação de espaço comercial. A possibilidade de integrar o anexo significa devolver previsibilidade e competitividade às nossas exportações, corrigindo distorções que afetam diretamente a indústria e o emprego no país”, explicou Alban.
Impactos econômicos e setores beneficiados
A CNI estima que o anexo proposto pelos EUA abrange 1.908 produtos — o equivalente a 18,4% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano em 2024. Caso o Brasil seja incluído, o percentual se somará aos 26,2% de produtos já livres de tarifas adicionais, ampliando o acesso da indústria nacional a um dos principais destinos de exportação do país.
Entre os setores potencialmente beneficiados, estão os de alimentos e commodities agrícolas — como café, cacau e frutas — e o setor metalúrgico, que inclui produtos de aço e ligas metálicas. A expectativa da CNI é que a revogação das sobretaxas contribua para reduzir custos, aumentar a previsibilidade e estimular o investimento em exportações industriais.
O encontro entre Lula e Trump ocorre em um momento de redefinição da política comercial norte-americana. O governo dos EUA tem utilizado medidas tarifárias como instrumento de proteção e negociação estratégica, especialmente em setores considerados sensíveis, como o aço, alumínio, energia e agricultura.
Desde que as tarifas extras foram impostas a países com superávit comercial com os EUA, o Brasil busca uma solução diplomática que evite prejuízos à indústria nacional. O diálogo direto entre os dois presidentes é visto pela CNI como um sinal positivo de abertura e um possível ponto de inflexão nas relações bilaterais.
Veja também: STF debate pejotização e impacto nas relações trabalhistas no país
A entidade também destacou que o Brasil tem mantido compromisso com práticas comerciais transparentes e padrões internacionais de sustentabilidade e segurança, o que o credencia como parceiro confiável para retomar sua posição estratégica nas cadeias globais de valor.