CNI projeta crescimento de 1,8% da economia brasileira em 2026

CNI projeta crescimento de 1,8% da economia brasileira em 2026
Juros altos e mercado de trabalho mais fraco limitam ritmo da atividade/Fernando Frazão/Agência Brasil
Publicado em 29/12/2025 às 14:30

Da redação de LexLegal

Após um avanço estimado de 2,5% em 2025, a economia brasileira deve desacelerar e crescer 1,8% em 2026, segundo projeção divulgada nesta quarta-feira (10) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). As estimativas constam do Relatório Economia Brasileira 2025–2026 e indicam que o desempenho do próximo ano seguirá condicionado pelo nível elevado dos juros e pela perda de fôlego do mercado de trabalho.

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De acordo com a CNI, a taxa básica de juros deve encerrar 2026 em 12% ao ano, abaixo dos 15% vigentes atualmente, mas ainda em patamar considerado restritivo. A inflação, por sua vez, deve fechar o próximo ano em 4,1%, dentro da meta oficial de 3%, que admite variação de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Com esse cenário, os juros reais, que representam a diferença entre a taxa de juros e a inflação, estão estimados em 7,9% para 2026. O percentual permanece acima da taxa neutra de juros, calculada pela entidade em 5% ao ano. Na avaliação da confederação, esse nível continua funcionando como freio ao investimento produtivo e à expansão mais consistente da atividade econômica.

A indústria aparece entre os setores mais afetados. A combinação de crédito caro, consumo doméstico mais fraco e maior concorrência de produtos importados deve seguir pressionando o setor, especialmente a indústria de transformação. A expectativa é de crescimento de apenas 0,5% em 2026, o desempenho mais baixo entre os segmentos industriais analisados no relatório.

O setor de serviços, por outro lado, deve sustentar a maior parte da expansão econômica no próximo ano. A CNI projeta avanço de 1,9%, refletindo uma atividade ainda apoiada no consumo e em áreas menos sensíveis ao custo do crédito, apesar da desaceleração esperada do mercado de trabalho.

Construção deve reagir

Mesmo em um ambiente de juros elevados, alguns segmentos apresentam perspectivas mais favoráveis. A construção civil deve crescer 2,5% em 2026. Segundo a CNI, o desempenho será impulsionado por mudanças no crédito imobiliário, pelo aumento do teto do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e pela ampliação dos financiamentos do Minha Casa, Minha Vida, além de linhas voltadas à reforma de moradias de famílias de baixa renda.

A indústria extrativa também deve registrar crescimento, estimado em 1,6%, sustentado principalmente pela produção de petróleo e minério de ferro. Apesar do resultado positivo, o ritmo representa desaceleração relevante frente a 2025, quando o segmento deve crescer cerca de 8%.

Já a agropecuária tende a “andar de lado” em 2026, com crescimento zero, diante das projeções iniciais de uma safra significativamente menor do que a registrada em 2025. No ano atual, o setor deve avançar 9,6%, desempenhando papel central para sustentar o crescimento do PIB estimado em 2,5%.

Exportações

No comércio exterior, o relatório destaca que a abertura de novos mercados e o fortalecimento de parcerias comerciais ajudaram a compensar parte dos impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos. No caso da indústria de transformação, as maiores altas de exportação em 2025 tiveram como destino China, Reino Unido, Itália e Argentina.

Para 2026, a CNI projeta crescimento de 1,6% das exportações brasileiras. O resultado considera fatores como uma safra mais modesta, os efeitos das tarifas norte-americanas e a menor demanda global por petróleo. A situação econômica da Argentina também deve influenciar negativamente o desempenho externo.

Em valores, as exportações devem atingir US$ 350 bilhões em 2025, alta de 3% em relação a 2024, impulsionadas pela safra recorde e por acordos comerciais. As importações, por sua vez, devem crescer 7,1%, alcançando US$ 293,4 bilhões, refletindo preços internacionais mais baixos, desvio de comércio provocado pela política comercial dos Estados Unidos, valorização do real e aumento da renda das famílias.

Com esse movimento, o saldo da balança comercial deve ficar em US$ 56,7 bilhões em 2025, queda de 14% na comparação anual.

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Em avaliação final, a CNI aponta que o cenário para 2026 é de crescimento moderado, apoiado sobretudo pelo setor de serviços e por nichos específicos da indústria, mas ainda limitado pelo custo elevado do crédito e pela desaceleração da demanda interna. A entidade defende a adoção de políticas que estimulem o investimento e reforcem os setores mais impactados pelo atual ambiente econômico.

SÃO PAULO WEATHER