CNH Social: saiba quem tem direito e como tirar habilitação gratuita

CNH Social: saiba quem tem direito e como tirar habilitação gratuita
Programa CNH Social garante gratuidade na primeira habilitação para pessoas de baixa renda em todo o país/Agência Brasil
Publicado em 27/09/2025 às 17:00

Da redação de LexLegal

Entrou em vigor no dia 12 de agosto a lei que cria a CNH Social, iniciativa sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que garante a gratuidade no processo de obtenção da primeira habilitação para pessoas de baixa renda. A medida autoriza que recursos arrecadados com multas de trânsito sejam usados para custear os gastos do procedimento, tornando a carteira de motorista mais acessível a milhões de brasileiros.

O programa tem caráter assistencial e busca atender cidadãos em situação de vulnerabilidade social. Entre os requisitos, estão: ter 18 anos ou mais, não possuir habilitação anterior, estar inscrito no Cadastro Único (CadÚnico) como titular ou dependente e ter renda de até meio salário mínimo por pessoa da família.

O que cobre a CNH Social

A gratuidade abrange exames médicos e psicológicos, aulas teóricas e práticas, taxas de provas e a emissão do documento. Também inclui a possibilidade de refazer gratuitamente a primeira prova em caso de reprovação. Apenas a partir da terceira tentativa será necessário arcar com custos adicionais. A carteira emitida tem o mesmo valor legal que a tradicional e dá acesso à versão digital por meio do aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT).

Quando começa a valer

As regras já estão em vigor desde agosto de 2025, mas a aplicação prática depende de cada Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Cada estado define o número de vagas, os prazos de inscrição e os critérios complementares. Atualmente, pelo menos 17 unidades da federação já possuem programas próprios de habilitação gratuita, como Acre, Amazonas, Ceará, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Rio Grande do Sul e Rondônia. Outros estados, como Amapá e Tocantins, já criaram leis específicas, mas ainda aguardam regulamentação.

Quem pode se inscrever

O primeiro passo é estar registrado no CadÚnico, cadastro usado para identificar famílias de baixa renda em programas sociais do governo. Para isso, é necessário procurar pessoalmente um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e apresentar documentos como CPF, título de eleitor, comprovante de residência e informações de todos os membros da família. O registro deve ser atualizado a cada dois anos ou em caso de alteração na renda.

Após a inscrição, o candidato deve acompanhar o site do Detran do seu estado para verificar prazos, critérios específicos e abertura de vagas. Em alguns estados, como Espírito Santo e Distrito Federal, já há cronogramas em andamento.

Quais categorias estão incluídas

A CNH Social contempla as categorias A (motos, motonetas e ciclomotores), B (carros de passeio com até 3.500 kg e oito lugares) e AB (que une A e B). Categorias profissionais como C, D e E não estão previstas na lei federal, mas os estados podem optar por incluir.

Uso profissional

A carteira obtida pelo programa pode ser usada para fins profissionais, desde que o condutor cumpra as exigências adicionais da lei, como mudança de categoria, realização de exame toxicológico e registro de atividade remunerada (EAR) no documento.

A proposta original previa a exigência do exame também para as categorias A e B, mas esse ponto foi vetado. Assim, continua obrigatório apenas para motoristas das categorias C, D e E, voltadas a veículos de carga, transporte coletivo e unidades acopladas, como carretas e semirreboques.

Como acompanhar as vagas

Embora a CNH Social esteja prevista no Código de Trânsito Brasileiro e tenha validade nacional, a execução é descentralizada. Por isso, quem deseja participar precisa acompanhar o portal do Detran do seu estado. É nesses canais que são divulgadas as informações sobre vagas, prazos de inscrição e a documentação necessária.

Com a nova lei, o governo busca ampliar o acesso à mobilidade e oferecer oportunidades de trabalho a quem depende da habilitação para exercer atividades profissionais. Ao mesmo tempo, o uso de recursos provenientes das multas reforça a ideia de devolver à sociedade parte do valor arrecadado em benefício de quem mais precisa.

SÃO PAULO WEATHER