China retoma compra de frango do RS após 18 meses de embargo sanitário

China retoma compra de frango do RS após 18 meses de embargo sanitário
Linha de produção em frigorífico de aves no Rio Grande do Sul; China volta a autorizar importações após validação sanitária/Arquivo/Agência Brasil
Publicado em 21/01/2026 às 7:30

Da redação de LexLegal

Após um ano e meio de restrições, a China anunciou o fim do embargo à importação de carne de frango produzida no Rio Grande do Sul. A decisão foi comunicada pelas autoridades chinesas e confirmada pelo Ministério da Agricultura e por entidades do setor produtivo brasileiro.

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A suspensão das compras havia sido imposta em julho de 2024, depois da confirmação de um foco da Doença de Newcastle em uma granja comercial localizada no município de Anta Gorda, no interior gaúcho. À época, o estado chegou a decretar emergência zoossanitária por cerca de três semanas, o que levou à interrupção imediata das exportações para o mercado chinês.

O fim do embargo foi oficializado por meio de comunicado conjunto da Administração-Geral das Alfândegas da China e do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais do país asiático. O documento revoga o ato anterior que havia restringido as importações com base em uma avaliação de risco sanitário.

Além do episódio da Doença de Newcastle, o setor avícola gaúcho também enfrentou outro abalo sanitário em 2024, quando foi registrado um caso de gripe aviária em uma granja no município de Montenegro, em maio. Um mês depois, após 28 dias sem novos registros, o Brasil voltou a ser considerado livre da doença. Mesmo assim, em novembro de 2025, a China decidiu liberar as compras de frango dos demais estados brasileiros, mantendo o bloqueio específico ao Rio Grande do Sul.

O impacto econômico da restrição foi relevante para o estado. Em 2024, o embargo contribuiu para uma queda aproximada de 1% nas exportações gaúchas de carne de frango. Antes da suspensão, a China respondia por quase 6% dos embarques do produto originados no Rio Grande do Sul, participação que passou a ser parcialmente compensada por vendas a outros mercados.

De acordo com o Ministério da Agricultura, a retomada das exportações foi autorizada após a comprovação de que todas as medidas de controle e erradicação da doença haviam sido cumpridas, em conformidade com os protocolos internacionais de saúde animal adotados pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a decisão representa um passo importante para a normalização do comércio com o principal destino global do frango brasileiro. “A decisão reafirma a credibilidade do sistema sanitário brasileiro e o reconhecimento internacional do nosso modelo de resposta”, destacou a entidade, em nota.

Segundo a ABPA, a liberação foi resultado de negociações técnicas contínuas com as autoridades chinesas. Durante o período de embargo, o governo brasileiro e as entidades do setor encaminharam relatórios detalhados demonstrando as ações de contenção, erradicação da doença e rastreabilidade sanitária, além da aderência aos padrões internacionais.

Com a reabertura do mercado, a expectativa agora é de retomada gradual dos embarques. Isso depende da atualização dos sistemas de habilitação de plantas frigoríficas e da liberação dos certificados sanitários exigidos pelas autoridades chinesas para cada operação de exportação.

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A China é considerada estratégica para o equilíbrio do comércio internacional de proteína animal e figura entre os principais destinos do frango brasileiro. A reativação do fluxo comercial com o Rio Grande do Sul tende a fortalecer a posição do estado no mercado externo e a recompor parte das perdas acumuladas desde 2024.

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