China defende soberania do Brasil em meio a pressão tarifária dos EUA

China defende soberania do Brasil em meio a pressão tarifária dos EUA
Governo chinês defende autonomia brasileira e amplia aproximação com Lula após ameaça de tarifas de Trump/Ricardo Stuckert
Publicado em 02/06/2026 às 17:59

Da Redação de LexLegal

A China saiu publicamente em defesa da soberania brasileira nesta terça-feira (2) e sinalizou interesse em ampliar a cooperação política, econômica e diplomática com o governo Lula. A manifestação ocorreu em meio ao aumento da tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos após a ameaça do governo Donald Trump de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

A declaração foi feita durante o Diálogo Estratégico Abrangente China-Brasil, realizado em Pequim, e reforça o avanço da aproximação entre Brasília e o governo chinês em um momento de forte pressão geopolítica internacional.

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O chanceler chinês Wang Yi afirmou que Pequim apoia o Brasil na defesa de sua soberania e autonomia nacional e declarou que a China pretende aprofundar a cooperação com países latino-americanos.

Segundo ele, a China sempre foi uma “amiga confiável dos países da América Latina e do Caribe” e está “pronta para trabalhar com os países da região, incluindo o Brasil, para aprofundar e expandir ainda mais a cooperação geral entre China e América Latina”.

O posicionamento ocorre poucos dias após os Estados Unidos concluírem investigação comercial contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

O governo Trump acusa o Brasil de práticas consideradas “irrazoáveis” em áreas como Pix, propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento e regulação de plataformas digitais.

A investigação abriu caminho para eventual aplicação de sobretaxas sobre produtos brasileiros exportados aos EUA. Nesse cenário, a manifestação chinesa ganhou peso diplomático.

Ao defender a soberania brasileira, Pequim também envia sinal político de alinhamento diante do aumento da disputa global entre China e Estados Unidos por influência econômica, tecnológica e comercial.

Wang Yi afirmou ainda que o Brasil e a China precisam fortalecer mecanismos conjuntos para enfrentar pressões internacionais.

Ele defendeu que os dois países avancem na construção de uma comunidade China-Brasil para “enfrentar conjuntamente diversos desafios externos e gerar maior sinergia para os processos de modernização de ambos e para a união e o fortalecimento dos países do Sul Global”.

O conceito de Sul Global reúne países emergentes e em desenvolvimento que buscam ampliar peso político e econômico no cenário internacional. Nos últimos anos, China e Brasil passaram a defender maior articulação entre essas nações em fóruns multilaterais como Brics, G20 e ONU.

A aproximação também ocorre em meio ao crescimento da dependência comercial entre Brasil e China. Hoje, os chineses são os principais compradores de commodities brasileiras, especialmente soja, minério de ferro, petróleo e carne.

Ao mesmo tempo, o Brasil ampliou importações de produtos industriais, tecnologia e equipamentos chineses.

O chanceler brasileiro Mauro Vieira participou do encontro em Pequim e afirmou que o governo brasileiro compartilha do interesse chinês em ampliar cooperação bilateral. Vieira também reafirmou o reconhecimento brasileiro ao princípio de “Uma Só China”.

O termo faz referência à posição oficial chinesa segundo a qual Taiwan faz parte do território da China e não deve ser reconhecida como país independente. O tema é um dos pilares centrais da política externa chinesa e costuma aparecer em negociações diplomáticas com parceiros estratégicos.

A fala do chanceler brasileiro ocorre em um momento de crescente tensão militar e política envolvendo Taiwan e os Estados Unidos. Washington mantém apoio militar à ilha, enquanto Pequim intensifica pressão diplomática e militar sobre a região.

A aproximação entre Brasil e China também possui dimensão econômica relevante. Especialistas em relações internacionais avaliam que o aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos pode acelerar ainda mais a aproximação brasileira com mercados asiáticos.

O movimento preocupa setores estratégicos americanos porque o Brasil ocupa posição central em cadeias globais de alimentos, energia, minerais e commodities agrícolas. Além disso, a China vem ampliando investimentos em infraestrutura, energia, logística e tecnologia em países latino-americanos.

Nos últimos anos, empresas chinesas aumentaram participação em projetos de transmissão de energia, portos, ferrovias e mineração no Brasil. O discurso de Wang Yi também reforçou a defesa chinesa de mudanças na governança global.

Segundo o chanceler, China e Brasil devem ampliar coordenação em organismos multilaterais para promover um “sistema de governança global mais justo e equitativo”. A declaração acompanha a estratégia chinesa de fortalecer instituições alternativas à influência tradicional dos EUA e da Europa.

O Brics aparece como um dos principais instrumentos desse processo. Brasil e China integram o bloco ao lado de Rússia, Índia e África do Sul, além dos novos membros incorporados recentemente.

Nos bastidores diplomáticos, integrantes do governo brasileiro tentam evitar que o conflito comercial com os EUA evolua para uma crise mais ampla envolvendo sanções econômicas ou deterioração política.

Ao mesmo tempo, o governo Lula tenta preservar relações com Washington sem afastar a parceria estratégica construída com a China.

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A nova manifestação chinesa amplia o peso geopolítico da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos e reforça a posição da China como principal aliada econômica do governo Lula no cenário internacional.

SÃO PAULO WEATHER