CGU abre 40 processos contra entidades por fraudes em descontos de aposentados

CGU abre 40 processos contra entidades por fraudes em descontos de aposentados
CGU apura esquema de mensalidades associativas fraudulentas que teria atingido milhões de aposentados e pensionistas em todo o Brasil/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Publicado em 04/09/2025 às 7:30

Da redação de LexLegal

Controladoria-Geral da União (CGU) instaurou 40 novos Processos Administrativos de Responsabilização (PAR) contra 38 entidades e três empresas suspeitas de cobrar ilegalmente mensalidades associativas de milhões de aposentados e pensionistas em todo o país.

PAR é um instrumento da Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013) que permite responsabilizar empresas por atos lesivos à administração pública, mesmo sem comprovação de culpa ou dolo dos dirigentes. As penalidades vão desde a obrigação de publicar a decisão condenatória até o pagamento de multas significativas.

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Fraudes nas fichas de filiação

Segundo a CGU, os indícios mostram que as associações investigadas fraudaram fichas de filiação de aposentados e pensionistas, burlando exigências do INSS, como o reconhecimento biométrico dos segurados. O esquema teria contado com apoio de empresas de tecnologia responsáveis por desenvolver sistemas que facilitaram a falsificação dos documentos. Entre elas estão a Soluções Power BI Software Tecnologia e Internet Ltda., a CONFIA – Tecnologia da Informação S.A. e a Dataqualify Desenvolvimento, Assessoria e Dados Ltda..

Foram identificados ainda casos de descontos sobre benefícios de pessoas já falecidas, além de episódios em que entidades se recusaram a entregar documentos exigidos por auditorias da CGU e do INSS. Em pelo menos quatro situações, as associações chegaram a apresentar áudios como provas, que, de acordo com a controladoria, revelaram “o cometimento de graves irregularidades”.

Amplitude da investigação

Os novos processos se somam a outros 12 procedimentos já em andamento, nos quais se investigam suspeitas de que agentes públicos receberam propina de dirigentes de entidades associativas para viabilizar o esquema. A fraude teria causado prejuízo bilionário ao sistema previdenciário e afetado diretamente a renda de milhares de beneficiários do Regime Geral da Previdência Social (RGPS).

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A CGU destacou que todas as entidades terão direito de defesa no âmbito dos processos administrativos. Após a análise do contraditório, será definida a eventual responsabilização das associações e empresas envolvidas.

SÃO PAULO WEATHER