Centrais sindicais anunciam atos contra tarifaço em embaixada e consulados dos EUA

Centrais sindicais anunciam atos contra tarifaço em embaixada e consulados dos EUA
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, classificou a decisão do governo americano como um ataque direto à soberania nacional/Roberto Parizotti/CUT
Publicado em 31/07/2025 às 7:00

Da redação de LexLegal

Centrais sindicais, as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, além de outros movimentos sociais, confirmaram manifestações em frente à embaixada e aos consulados dos Estados Unidos na próxima sexta-feira (1º). Os atos estavam inicialmente programados para a data de entrada em vigor do chamado tarifaço norte-americano, que impõe uma tarifa de 50% sobre produtos exportados do Brasil. Contudo, segundo decreto assinado pelo presidente Donald Trump nesta quarta-feira (30), a medida foi adiada e passará a valer a partir de 6 de agosto.

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O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, classificou a decisão do governo americano como um ataque direto à soberania nacional. “É uma agressão, uma interferência no judiciário brasileiro, uma interferência na soberania. O único país que teve elemento político colocado nas tarifas foi o Brasil. Não é uma questão só comercial. É uma intervenção na soberania do país”, disse. Ele ainda afirmou que o Brasil não pode “ceder à chantagem” dos Estados Unidos. “É parecido com o caso daqueles moleques grandes na escola, todo mundo já passou por isso. Ele toma o lanche do pequenininho. Se você entregar o lanche sem resistir, meu filho, pode se preparar para, todo dia, você ter que entregar o lanche novamente”, declarou.

Setores afetados e possíveis impactos

Nobre avaliou que os setores que podem sentir os efeitos imediatos do tarifaço são os de produção de madeira e ferro-gusa, cuja fabricação tem como destino predominante o mercado norte-americano. Segundo ele, apesar do risco econômico, existem mecanismos capazes de evitar a demissão de trabalhadores dessas áreas. “Tem algumas empresas que têm um impacto mais imediato, o caso da madeira, que é exclusivo para os Estados Unidos, e tem o ferro-gusa. Mas mesmo nesses casos, temos mecanismos de sobra para preservar os empregos por seis a oito meses sem ter necessidade de demitir”, destacou.

O presidente da CUT citou a antecipação de férias, a adoção de férias coletivas, a antecipação de feriados e o uso do layoff – que consiste na suspensão ou redução temporária da jornada de trabalho e do salário – como alternativas. “Na nossa avaliação, não há nenhuma razão para a empresa sair demitindo antes de esgotar esses mecanismos. Não existe necessidade disso agora. Esse tipo de debate ele só entra quando você esgota todos os mecanismos que já temos”, reforçou.

Nobre informou ainda que, até o momento, nenhuma empresa procurou sindicatos filiados à CUT para anunciar demissões ou cortes de jornada em razão da tarifa. “Várias empresas já procuraram dizendo ‘olha, se a coisa realmente avançar, quais são os mecanismos que tem, o que que a gente pode fazer de maneira negociada?’. E isso é salutar. Mas não tem nenhuma empresa que eu tenha conhecimento anunciando demissão nesse momento”, disse.

Manifestações em várias capitais

Os atos programados para a próxima sexta-feira (1º) terão como bandeiras centrais a defesa da soberania nacional e diversas pautas sociais e trabalhistas, como o fim da escala 6×1; a isenção do imposto de renda para rendimentos de até R$ 5 mil; a taxação dos super-ricos; a redução da jornada de trabalho; a rejeição ao chamado “PL da devastação”; a oposição à pejotização irrestrita; e o fim do genocídio em Gaza.

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Até agora, as manifestações estão confirmadas em várias capitais. Em São Paulo, o ato será às 10h, no Consulado dos EUA; em Salvador, às 15h, no Campo Grande; no Rio de Janeiro, às 18h, no Consulado dos EUA; em Brasília, às 9h, em frente à Embaixada dos EUA; em Porto Alegre, às 18h, na Esquina Democrática; em Belo Horizonte, às 17h, na Praça Sete; em Manaus, às 16h, na Praça da Polícia/Palacete Provincial; em Recife, às 15h30, na Praça do Derby; e em Florianópolis, às 19h30, na Praça da Alfândega.

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