Câmara derruba MP que taxava bancos, bilionários e apostas esportivas

Câmara derruba MP que taxava bancos, bilionários e apostas esportivas
Câmara dos Deputados retira de pauta a MP que previa taxar bancos, bilionários e apostas esportivas, frustrando planos de arrecadação do governo/Lula Marques/Agência Brasil
Publicado em 09/10/2025 às 7:30

Da redação de LexLegal

Câmara dos Deputados decidiu retirar da pauta, nesta quarta-feira (8), a Medida Provisória nº 1.303/2025, que previa a taxação de rendimentos de aplicações financeiras e de apostas esportivas online. A decisão encerra a tramitação da proposta, que caducou por falta de votação antes do prazo final de validade.

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O pedido de retirada, apresentado pela oposição, foi aprovado por 251 votos a favor e 193 contrários, impedindo o avanço da medida que buscava compensar a revogação do decreto que aumentava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Reação do governo e impasse político

Horas antes da sessão, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, havia apelado ao Congresso para cumprir o acordo político feito com o governo federal. Segundo ele, o texto final da MP refletia “um esforço de conciliação e diálogo com os parlamentares”, após concessões em diversos pontos.

O relator da proposta, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), defendeu que o texto estava maduro e representava um consenso.

“Trabalhamos nesses 120 dias para garantir a aprovação da MP. Avançamos em alguns pontos, atendemos muitas reivindicações e fizemos um texto que teria todas as condições de ser aprovado nessa Casa e sancionado pelo presidente da República”, afirmou o parlamentar.

Mesmo com as negociações, partidos do centrão — como PP, União Brasil e Republicanos — resistiram à aprovação, alegando impactos fiscais e políticos. A derrota da MP é vista como um revés para o governo, que contava com a arrecadação extra para cumprir a meta fiscal de 2026.

O que previa a MP

A proposta original da MP previa taxar bancos, bilionários e empresas de apostas online (bets) como forma de aumentar a arrecadação federal. O texto fixava alíquotas entre 12% e 18% sobre a receita bruta das casas de apostas e tributação sobre rendimentos de Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Agrícola (LCA) e de Desenvolvimento (LCD), além de juros sobre capital próprio.

A equipe econômica estimava arrecadar R$ 10,5 bilhões em 2025 e R$ 21 bilhões em 2026, valores que posteriormente foram revisados para R$ 17 bilhões após ajustes no texto. Os recursos seriam destinados ao Orçamento da União, reforçando a busca por superávit primário de R$ 34,3 bilhões no próximo ano.

Repercussões políticas

A votação expôs o racha entre o governo e o centrão. O líder do PT, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), acusou parte da base aliada de “sabotar o país” ao permitir que a MP caducasse.

“O que está acontecendo aqui hoje é um ato de sabotagem contra o Brasil. Houve toda a paciência para discutir um acordo, mas ficou claro que o objetivo era impor uma derrota política ao governo”, disse Lindbergh.

O parlamentar citou nominalmente Ciro Nogueira (PP)Antonio Rueda (União Brasil) e o governador Tarcísio de Freitas (SP) como articuladores da estratégia que visaria antecipar o debate eleitoral de 2026.

A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ), líder da federação Rede-PSOL, também criticou o impasse.

“Ao pensarem que atacam o governo do presidente Lula, atacam o conjunto do povo brasileiro. Vimos o Congresso pautar medidas contra o interesse popular nas últimas semanas”, declarou.

Do lado da oposição, o deputado Mendonça Filho (União-PE) chamou a proposta de “MP da mentira”, argumentando que o governo usava a taxação para compensar o aumento do IOF barrado pelo Congresso, posteriormente restabelecido por decisão monocrática no Supremo Tribunal Federal (STF).

“O governo arrecada R$ 30 bilhões por ano com o IOF. Essa medida foi um equívoco desde o início”, afirmou.

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Com o fim da vigência da MP, o governo deve anunciar bloqueios adicionais no orçamento de 2025, afetando inclusive emendas parlamentares. O impacto fiscal estimado pela não aprovação da medida é de cerca de R$ 35 bilhões em 2026, valor que agrava o desafio do ajuste das contas públicas.

Ministério da Fazenda já avalia enviar novo projeto de lei com parte das medidas tributárias contidas na MP, buscando recompor as fontes de receita sem depender de decreto presidencial.

SÃO PAULO WEATHER