Cade aprova fusão entre Petz e Cobasi com venda obrigatória de 26 lojas em SP

Cade aprova fusão entre Petz e Cobasi com venda obrigatória de 26 lojas em SP
Com a aprovação, as duas empresas reunirão mais de 480 lojas em quase 20 estados, além de plataformas digitais e serviços veterinários/Rovena Rosa/Agência Brasil
Publicado em 14/12/2025 às 9:00

Da redação de LexLegal

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizou, mediante restrições, a união entre Petz e Cobasi. A operação criará a maior rede de produtos e serviços para animais de estimação do Brasil e uma das maiores da América Latina. Para que a fusão avance, as empresas serão obrigadas a vender 26 unidades no estado de São Paulo, principalmente na capital. Os pontos representam cerca de 3,3% da receita combinada nos últimos 12 meses e fazem parte do pacote de desinvestimentos exigido pelo órgão.

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A decisão foi liderada pelo relator José Levi Mello do Amaral, que classificou a venda concentrada em São Paulo como mecanismo para reforçar a concorrência no mercado considerado mais sensível. Além da alienação das lojas, o acordo inclui remédios comportamentais, como limites a cláusulas de exclusividade. Esses compromissos não foram detalhados publicamente.

A conselheira Camila Cabral Pires Alves divergiu parcialmente ao afirmar que não há segurança suficiente sobre a escolha das lojas determinadas para venda e alertou que, mesmo com os desinvestimentos, alguns mercados regionais seguirão com problemas de concentração. O presidente do Cade, Gustavo Augusto Freitas de Lima, destacou que o êxito do acordo dependerá do interesse efetivo de compradores, mencionando que a Petlove manifestou formalmente intenção no processo. “Se vai dar certo ou não é o que vamos medir e monitorar”, afirmou.

A Petlove, principal concorrente contrária à operação, sustentou que a fusão criaria um grupo “30 vezes maior que o terceiro colocado”, argumento rejeitado pelo Cade. Para a autarquia, o pacote de remédios estruturais e comportamentais é suficiente para preservar a rivalidade, sobretudo diante da competição digital, defendida por Petz e Cobasi como determinante no comportamento de consumo.

Com a aprovação, a empresa resultante terá faturamento anual estimado em R$ 7 bilhões e participação próxima de 40% no mercado pet, que movimenta R$ 80 bilhões por ano. As sinergias de custos reportadas ao Cade devem alcançar R$ 330 milhões. Pelo acordo societário, os acionistas da Cobasi deterão 47,4% da nova companhia, enquanto os da Petz ficarão com 52,6% e ainda receberão R$ 400 milhões, dos quais R$ 130 milhões via dividendos.

A análise do Cade ocorreu após revisão. A Superintendência-Geral havia aprovado a operação sem restrições em junho, mas o processo foi retomado após recurso da Petlove. Estudos da autarquia indicavam potencial de aumento de preços de até 15% em regiões onde Petz e Cobasi lideram. Por isso, conselheiros cobraram regras claras para a venda das unidades caso mais de um interessado dispute os ativos.

Petz, fundada em 2002, tem 264 lojas em 23 estados, mais de 7 mil funcionários, 112 clínicas e 15 hospitais veterinários. Detém marcas como Seres, Adote Petz, Cão Cidadão e Zee.Dog. A Cobasi, criada em 1985, também emprega cerca de 7 mil pessoas e opera 251 lojas em 94 cidades, além das marcas Mundo Pet e Pet Anjo.

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Com a aprovação, as duas empresas reunirão mais de 480 lojas em quase 20 estados, além de plataformas digitais e serviços veterinários. O Cade reiterou que seguirá monitorando o impacto da fusão sobre preços, variedade de produtos e entrada de novos competidores.

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