BRB nega risco de intervenção e diz ter capital para enfrentar crise do Banco Master

Da redação de LexLegal
O Banco de Brasília (BRB) negou qualquer risco de intervenção e afirmou possuir “suficiência patrimonial” para enfrentar os efeitos das investigações envolvendo o Banco Master. Em nota, a instituição controlada pelo governo do Distrito Federal informou que estuda a venda de ativos recuperados do banco privado como forma de reforçar sua posição financeira e afastou a necessidade de medidas emergenciais no curto prazo.
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A manifestação ocorre após a circulação de notícias sobre uma suposta urgência de aporte de capital no BRB. Segundo o banco, qualquer decisão nesse sentido só será analisada após a conclusão das auditorias independentes e das avaliações conduzidas pelo Banco Central.
“Caso seja necessário, o BRB dispõe de plano para recomposição de capital e destaca que eventuais aportes do acionista controlador não retiram recursos previstos no orçamento para políticas públicas”, informou a instituição.
Mais cedo, o Ministério da Fazenda divulgou nota negando que o ministro Fernando Haddad tenha tratado com o governo do Distrito Federal ou com a direção do BRB sobre a necessidade de um aporte imediato, sob risco de intervenção.
O esclarecimento foi feito depois que o ministro cobrou prazos para um possível socorro financeiro ao banco estatal. A Fazenda, no entanto, não comentou eventuais discussões técnicas mantidas com o Banco Central no acompanhamento do caso.
Auditorias e balanço
O BRB informou que os valores de eventuais prejuízos ainda estão sendo apurados por auditoria independente e pelo Banco Central. Por essa razão, o banco não divulgou o balanço referente ao terceiro trimestre, o que mantém o mercado sem dados públicos atualizados sobre sua real situação financeira.
Segundo a instituição, todas as operações relacionadas ao caso estão incluídas em investigação forense conduzida por um escritório independente, com acompanhamento das autoridades competentes. O banco reforçou que segue operando normalmente e que “qualquer número não oficial divulgado publicamente é meramente especulativo”.
Relação com o Banco Master
O BRB foi diretamente impactado pela crise do Banco Master, alvo de investigações por supostas fraudes em carteiras de crédito. De acordo com informações do Banco Central repassadas ao Ministério Público, o banco estatal adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras posteriormente consideradas fraudulentas, que foram substituídas e ainda passam por avaliação.
Além disso, o BRB teria injetado mais de R$ 5 bilhões no Banco Master por meio de outras operações, como a compra de cotas de fundos de investimento. A atual administração, que assumiu após a troca de comando no ano passado, tenta agora dimensionar o impacto financeiro dessas operações realizadas ao longo de 2024 e 2025.
Problemas de enquadramento
As operações com o Banco Master levaram o BRB a descumprir temporariamente limites prudenciais exigidos pelo Banco Central. O banco ficou desenquadrado por pelo menos dois meses, em janeiro e fevereiro de 2025. Como consequência, o BC determinou a limitação de novas aquisições de ativos financeiros e a elaboração de um plano de solução no prazo de seis meses, contado a partir de outubro do ano passado.
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Apesar desse cenário, a possibilidade de apoio do governo do Distrito Federal aumenta a capacidade do BRB de absorver eventuais perdas. Ainda assim, a instituição afirma que não recebeu qualquer determinação formal do Banco Central para realizar aporte imediato de capital.