Brasileiro vence prêmio internacional da Unesco por pesquisa em ética da inteligência artificial

Reconhecimento destaca impacto global do trabalho de Virgílio Almeida em governança digital

Brasileiro vence prêmio internacional da Unesco por pesquisa em ética da inteligência artificial
Professor Virgílio Almeida, da UFMG, premiado pela Unesco por pesquisas em ética da IA e governança digital/Fapesp
Publicado em 08/11/2025 às 17:00

Da redação de LexLegal

A Unesco anunciou os vencedores da primeira edição do Prêmio Unesco-Uzbequistão para Pesquisa Científica sobre Ética na Inteligência Artificial, e o principal destaque foi brasileiro. O professor Virgílio Almeida, do Departamento de Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), recebeu a premiação máxima por sua contribuição acadêmica e institucional na área de governança da internet, ética de algoritmos e políticas de regulação de IA no Brasil e no cenário internacional.

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Referência global no estudo de impactos sociais e regulatórios das tecnologias digitais, Almeida teve papel decisivo na construção do Marco Civil da Internet, na década passada, quando ocupou o cargo de secretário nacional de Políticas de Informática no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Sua atuação ocorreu em um momento sensível: as revelações de Edward Snowden, em 2013, expuseram um amplo sistema de vigilância conduzido pelo governo dos Estados Unidos, atingindo a Petrobras e até a então presidente Dilma Rousseff. A crise desencadeou uma mobilização diplomática e técnica, na qual Almeida representou o Brasil em negociações internacionais e defendeu parâmetros mais rígidos de segurança e soberania digital.

De volta à vida acadêmica, o professor seguiu sua pesquisa na UFMG e passou a atuar também na Cátedra Oscar Sala, no Instituto de Estudos Avançados da USP, onde integra o projeto “IA Responsável”, dedicado ao estudo das dimensões técnicas, sociais, legais e institucionais da inteligência artificial.

Indicada pelo Itamaraty, sua candidatura foi celebrada oficialmente pelo governo brasileiro. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que recebeu “com grande satisfação” o resultado e destacou que a premiação “reflete o compromisso do governo brasileiro com a governança inclusiva e com o uso ético e responsável da inteligência artificial e das tecnologias digitais”.

Além de Almeida, também foram premiadas as pesquisadoras Claudia Roda e Susan Perry, da American University of Paris, integrantes da Cátedra Unesco para Inteligência Artificial e Direitos Humanos, onde estudam o impacto das tecnologias digitais no cotidiano. Outro vencedor foi o Instituto para Governança Internacional da Inteligência Artificial da Universidade de Tsinghua, na China, liderado pelo professor Xue Lan, reconhecido por pesquisas sobre desenvolvimento responsável e inclusivo de IA.

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A premiação leva o nome de Beruniy Prize, homenagem ao cientista Abu Rayhan al-Biruni, figura central da ciência persa entre os séculos X e XI. Polímata de destaque em astronomia, matemática, física, geografia e história, Biruni é considerado um dos pilares intelectuais do Uzbequistão, país responsável pela iniciativa — parte de uma estratégia mais ampla de política cultural e de ampliação da presença internacional da nação da Ásia Central.

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