Brasil tem 3 milhões de adolescentes vítimas de violência sexual digital

Da redação de LexLegal
O relatório Disrupting Harm in Brazil, divulgado nesta quarta-feira (4), revela um cenário crítico. Cerca de 3 milhões de adolescentes brasileiros foram alvo de crimes sexuais no ambiente virtual em apenas 12 meses.
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A pesquisa, realizada pelo Unicef em parceria com a Interpol e a organização ECPAT, mostra que 66% das agressões ocorrem exclusivamente online. Redes sociais como Instagram e WhatsApp lideram como portas de entrada para criminosos.
O estudo indica que agressores costumam monitorar perfis públicos para iniciar o contato. Segundo Luiza Teixeira, especialista do Unicef, eles criam laços de confiança antes de migrar a conversa para aplicativos de mensagens fechados.
A forma mais comum de violência é o envio de conteúdo sexual não solicitado, atingindo 14% dos jovens. A estratégia serve para habituar a vítima ao tema antes de escalonar para pedidos de fotos íntimas ou chantagens.
Dados mostram que 9% receberam pedidos por nudes e 3% tiveram imagens manipuladas por inteligência artificial. Em metade dos casos registrados, o agressor é alguém conhecido, como amigos, familiares ou namorados.
O silêncio ainda impera, já que um terço das vítimas não relatou o abuso a ninguém. O receio de não receber crédito e o desconhecimento de que tais atos são crimes impedem a busca por ajuda especializada.
A vergonha e o medo das ameaças também travam as denúncias. Entre os que decidiram falar, a maioria preferiu confiar em amigos (24%) em vez de recorrer aos pais ou responsáveis (21% somados).
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Para o Unicef, a solução passa por fortalecer o Sistema de Garantia de Direitos e atualizar leis contra tecnologias emergentes. O órgão defende que o acolhimento familiar e a educação sobre consentimento são fundamentais para quebrar o ciclo de abusos.