Brasil sofrerá impactos climáticos mesmo com metas do Acordo de Paris, aponta relatório

Brasil sofrerá impactos climáticos mesmo com metas do Acordo de Paris, aponta relatório
Todas as regiões do Brasil enfrentarão aumento de temperatura, secas e eventos extremos mesmo com aquecimento limitado a 1,5°C/Fernando Frazão/Agência Brasil
Publicado em 25/07/2025 às 6:00

Da redação de LexLegal

Mesmo que as metas estabelecidas no Acordo de Paris sejam alcançadas — ou seja, que o aquecimento global se mantenha abaixo de 2 °C e com esforços para não ultrapassar 1,5 °C — todas as regiões do Brasil ainda enfrentarão alterações significativas nos padrões climáticos nas próximas décadas. A constatação faz parte do Primeiro Relatório Bienal de Transparência do Brasil à Convenção do Clima, divulgado nesta quarta-feira (23) pelo governo federal.

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O documento apresenta uma síntese técnico-científica das vulnerabilidades climáticas do país e identifica 14 ameaças climáticas distribuídas entre as cinco macrorregiões brasileiras. Mesmo com uma contenção efetiva do aquecimento global, eventos como aumento de temperaturas, secas severas, chuvas extremas e ventos intensos já são considerados inevitáveis em diversas partes do território nacional.

O objetivo central do relatório é subsidiar a formulação e a execução do Plano Clima Adaptação, que deverá nortear políticas públicas e ações locais para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. A proposta é que gestores públicos, especialmente nos níveis estadual e municipal, consigam reconhecer os riscos climáticos mais prováveis para seus territórios e, assim, possam priorizar ações adaptativas com base em evidências científicas.

Impactos distribuídos por todo o território

Segundo o relatório, há um alto grau de certeza sobre tendências como aumento das temperaturas e maior frequência de ondas de calor em todas as regiões brasileiras. No Sul do país, é esperado um aumento no volume de chuvas ao longo do ano. Já no Norte, Sudeste e Sul, a previsão é de maior ocorrência de chuvas extremas, com volumes concentrados em curtos períodos, o que eleva o risco de enchentes e deslizamentos.

A região Nordeste, tradicionalmente mais vulnerável à escassez hídrica, continuará a registrar aumento nas secas, fenômeno que também afetará o Centro-Oeste e o Sudeste. Ao mesmo tempo, a ocorrência de ventos severos deve se intensificar nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul, o que representa riscos para infraestrutura urbana, redes de energia e segurança populacional.

O relatório ressalta ainda que os dois cenários considerados — aquecimento de 1,5 °C e 2 °C — apresentam tendências climáticas semelhantes, mas com diferença significativa na magnitude, gravidade e frequência dos eventos climáticos extremos. Ou seja, mesmo pequenas variações na média global de temperatura podem representar grandes impactos para a vida cotidiana, economia e infraestrutura no Brasil.

Vento severo: a ameaça invisível

Uma das ameaças que chamou a atenção dos especialistas responsáveis pelo relatório é o aumento da frequência e intensidade de ventos severos, risco frequentemente subestimado nas discussões públicas sobre mudanças climáticas. O vento severo está geralmente associado a outros fenômenos climáticos, como tempestades intensas, frentes frias e ciclones extratropicais, que já provocaram tragédias em diversas regiões do país, principalmente no Sul e no litoral do Sudeste.

A partir da análise dos modelos climáticos, os pesquisadores observaram que o aumento desses ventos não apenas representa um risco isolado, mas pode atuar como um fator agravante de outros eventos extremos — potencializando alagamentos, derrubando estruturas e dificultando respostas emergenciais.

Comunicação e acesso à informação

Outro destaque do relatório é a preocupação com a comunicação dos dados científicos. Para facilitar o entendimento da população e de gestores públicos sem formação técnica em clima, a publicação conta com uma síntese gráfica das ameaças regionais, explicando os fenômenos esperados com mapas e ícones de fácil leitura.

“Esse tipo de linguagem visual ajuda a tornar o tema mais acessível para todos os públicos, inclusive não especialistas, ampliando a conscientização sobre os riscos climáticos”, afirmam os organizadores do documento. A democratização da informação climática é vista como parte essencial da estratégia de adaptação, pois permite maior mobilização social e mais efetividade nas políticas públicas.

Plano Clima Adaptação

Com base no diagnóstico apresentado, o Plano Clima Adaptação deverá ser concluído nos próximos meses e será voltado à redução da vulnerabilidade dos territórios, setores econômicos e populações mais expostas às mudanças climáticas. A ideia é priorizar medidas de adaptação de forma regionalizada, contemplando desde a agricultura familiar no semiárido nordestino até centros urbanos expostos a inundações e ondas de calor.

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O plano será coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e envolverá diversas pastas federais, além de parcerias com estados e municípios. A elaboração do relatório e do plano contou com apoio de universidades, centros de pesquisa e agências internacionais.

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