Brasil rejeita pressão dos EUA e defende soberania no tarifaço

Brasil rejeita pressão dos EUA e defende soberania no tarifaço
Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, durante evento na Fiesp: “Brasil não aceitará interferência judicial dos EUA”/Fernando Frazão/Agência Brasil
Publicado em 27/08/2025 às 6:00

Da redação de LexLegal

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta terça-feira (26) que o Brasil não aceitará qualquer tipo de interferência dos Estados Unidos em questões judiciais internas. A declaração foi feita durante o evento O Novo Cenário Global e o Papel do Setor Privado nas Relações Brasil-EUA, realizado na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que reuniu executivos de empresas norte-americanas, como Boeing, Salesforce e AWS, além de representantes brasileiros da JBS e da Embraer.

Leia também: Déficit das contas externas do Brasil sobe para US$ 7,1 bilhões em julho, aponta Banco Central

“Não há possibilidade de qualquer negociação entre os dois países que envolva interferência em termos judiciais. Seguiremos resistindo a essas pressões ao mesmo tempo em que insistiremos no respeito às nossas instituições e à nossa soberania”, disse Vieira.

O ministro classificou como inédita a taxação de 50% sobre produtos brasileiros, imposta pelos EUA, lembrando que, em 201 anos de relações comerciais bilaterais, não houve precedente semelhante. Para ele, as tarifas estão diretamente ligadas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, tema que considerou “interno e soberano do Brasil”.

Vieira destacou que o governo brasileiro não deixará de dialogar com Washington, mas atuará em outras frentes para reduzir os efeitos das barreiras. “Demos início a conversas com os demais países afetados pelas medidas tarifárias dos Estados Unidos. Com esse intuito, o presidente Lula manteve, apenas nas últimas duas semanas, contatos com líderes da Índia, da China, do México e da França, dentre outros países”, afirmou.

O chanceler também defendeu mudanças estruturais na Organização Mundial do Comércio (OMC), propondo uma “refundação” da entidade em bases mais modernas e flexíveis. Segundo ele, o único caminho viável para superar a atual crise é separar as disputas comerciais das questões políticas.

Veja também: Veirano e Monteiro Rusu assessoram emissão de R$ 320 milhões em debêntures da TecBan

“Na relação com os Estados Unidos, seguiremos insistindo na necessidade de separarmos questões comerciais das questões políticas. Esse é o único caminho possível para que a situação presente possa encontrar solução satisfatória”, completou.


SÃO PAULO WEATHER