Brasil projeta mais do que dobrar rede de transporte coletivo até 2054

Brasil projeta mais do que dobrar rede de transporte coletivo até 2054
Expansão prevê novas linhas de metrô, BRT, VLT e trens urbanos nas principais regiões metropolitanas do país/Valter Campanato/Agência Brasil
Publicado em 15/07/2025 às 17:00

Da redação de LexLegal

Um levantamento inédito conduzido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com o Ministério das Cidades, projeta que o Brasil poderá mais que dobrar sua atual malha de transporte coletivo nas 21 principais regiões metropolitanas até 2054. A estimativa é de que sejam construídos 2.506 quilômetros adicionais de infraestrutura para transporte público de média e alta capacidade, superando com folga os atuais 2.007 quilômetros em operação nessas áreas urbanas.

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A previsão inclui 323 km de linhas de metrô, 96 km de trens urbanos, 1.930 km de corredores de BRT, VLT e monotrilho, além de 157 km dedicados exclusivamente ao tráfego de ônibus. Os dados fazem parte do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, que também mapeia cerca de 200 projetos com potencial para receber investimentos públicos e privados nas próximas décadas.

De acordo com o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, os investimentos nessas obras serão necessários “para o aumento da produtividade e a dinamização da economia nas grandes cidades”, disse em nota institucional.

No mesmo texto, o ministro das Cidades, Jader Filho, acrescenta que o foco da política pública “é tornar o transporte coletivo mais eficiente, dinâmico e sustentável, assegurando qualidade de vida à população”, reduzindo “o tempo de deslocamento, com conforto e segurança.”

Infraestrutura urbana defasada

A proposta de expansão representa um passo importante na tentativa de recuperar o atraso histórico do Brasil em infraestrutura urbana. Atualmente, o país conta com redes de metrô bastante limitadas em comparação a países com tamanho populacional semelhante.

São Paulo, por exemplo, possui cerca de 104 km de metrô, número significativamente menor que os mais de 400 km da Cidade do México ou os quase 500 km de Seul, na Coreia do Sul. Mesmo Buenos Aires, capital da Argentina, supera diversas capitais brasileiras com uma malha de 60 km — distribuída entre seis linhas de metrô.

Além disso, dados da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) mostram que mais de 80% dos deslocamentos urbanos no Brasil ainda são realizados por ônibus convencionais, muitas vezes operando em vias congestionadas e sem corredores exclusivos.

A expansão de sistemas como BRT (Bus Rapid Transit), VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e monotrilhos é vista como uma alternativa de menor custo que o metrô, mas com maior capacidade e regularidade em relação ao transporte tradicional sobre pneus.

Desafios para tirar os projetos do papel

Apesar do potencial, o desafio está em viabilizar os investimentos necessários. Segundo o BNDES, o próximo passo será detalhar os quase 200 projetos com estimativas de custos, benefícios econômicos e sociais, análise de viabilidade técnica e retorno esperado.

O estudo também apontará fontes possíveis de financiamento e a viabilidade de parcerias público-privadas (PPPs), instrumento já utilizado em linhas como a ViaQuatro (linha amarela do metrô de São Paulo) e o VLT de Cuiabá.

Outro ponto sensível é a governança institucional. A implantação de grandes projetos de mobilidade no Brasil esbarra frequentemente em problemas como disputas federativas, licenciamento ambiental, desapropriações e falta de planejamento urbano integrado. A proposta do estudo é oferecer às autoridades estaduais e municipais um diagnóstico claro sobre as prioridades e o potencial de impacto de cada obra.

Comparativo internacional

Ao comparar com países europeus, os números brasileiros revelam ainda mais defasagem. A Alemanha, com cerca de 84 milhões de habitantes, tem mais de 3.000 km de redes urbanas de transporte coletivo de alta capacidade.

A França, com população semelhante à brasileira, tem mais de 200 linhas de trens urbanos e metropolitanos. No caso da China, as grandes cidades como Pequim, Xangai e Shenzhen expandem suas redes em dezenas de quilômetros a cada ano, com o apoio direto do governo central.

O relatório do BNDES se alinha a compromissos assumidos pelo Brasil em fóruns internacionais, como o Acordo de Paris e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. A expansão da mobilidade coletiva é essencial para reduzir emissões de gases de efeito estufa, combater desigualdades regionais e estimular o crescimento econômico sustentável.

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