Brasil monitora tarifas de até 50% aprovadas pelo México e avalia impacto sobre exportações

Brasil monitora tarifas de até 50% aprovadas pelo México e avalia impacto sobre exportações
Movimentação cresce 3,6% e reforça papel central do complexo na economia. Vista aérea do Porto de Santos, que alcançou em 2025 a maior movimentação de cargas de sua história/Divulgação/Porto de Santos
Publicado em 13/12/2025 às 9:00

Da redação de LexLegal

O governo brasileiro acompanha com atenção a reforma tarifária aprovada pelo Congresso do México, que cria tarifas entre 5% e 50% para importações de países que não mantêm acordos amplos de livre-comércio com o país. A medida, aprovada em regime de urgência, pode afetar diretamente o fluxo comercial brasileiro, sobretudo em setores industriais estratégicos.

Leia também: Revolução tributária: empresas à beira de uma nova era econômica

Em nota conjunta divulgada nesta sexta-feira (12), o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços afirmaram que aguardam a publicação do texto final da lei mexicana para mensurar o impacto sobre as exportações brasileiras. As tarifas devem entrar em vigor em 1º de janeiro.

O pacote aprovado pelo México inclui cerca de 1,5 mil produtos de 17 setores, como automóveis, têxteis, eletrodomésticos, siderurgia e plásticos. Além do Brasil, países como China, Índia, Coreia do Sul, Rússia e África do Sul também serão atingidos.

Segundo avaliação preliminar do governo brasileiro, o setor automotivo tende a sentir impacto reduzido devido ao acordo bilateral existente com o México. No entanto, autoridades alertam que o aumento tarifário pode interferir em preferências comerciais de outros segmentos e gerar incertezas para investimentos entre os países.

“O Brasil tem mantido contato com autoridades mexicanas para tratar dos possíveis efeitos das mudanças tarifárias”, diz a nota conjunta.

Os ministérios reforçam que a relação bilateral é historicamente marcada por diálogo e que qualquer alteração tarifária de grande impacto deve considerar compromissos de previsibilidade, segurança jurídica e integração produtiva.

A Confederação Nacional da Indústria calcula que até 15% das exportações brasileiras ao México podem ser afetadas e defende intensificação das negociações no curto prazo.

Cenário político e pressões externas

A votação acelerada no Senado mexicano terminou com 76 votos a favor, cinco contrários e 35 abstenções. Críticos alertaram para possíveis pressões inflacionárias. A presidente Claudia Sheinbaum apoia a iniciativa e deve sancioná-la nos próximos dias.

O momento é considerado sensível para o México por ocorrer às vésperas da revisão, em 2026, do acordo de livre comércio com Estados Unidos e Canadá. O presidente norte-americano, Donald Trump, tem pressionado o governo mexicano ao acusá-lo de facilitar a entrada de produtos chineses nos EUA. A China, por sua vez, criticou a medida, chamando-a de protecionista.

Veja também: CTF Advogados inicia operação com foco em contencioso estratégico

Embora o governo mexicano sustente que as novas tarifas recaem apenas sobre países sem acordos amplos, o Brasil mantém entendimentos setoriais com o México para setores específicos. Hoje, o México é destino de 2,25% das exportações brasileiras e ocupa a sexta posição entre os principais mercados do país em 2025.

SÃO PAULO WEATHER