Brasil minimiza impacto do tarifaço dos EUA com abertura de 437 novos mercados

Brasil minimiza impacto do tarifaço dos EUA com abertura de 437 novos mercados
Carlos Fávaro, ministro da Agricultura, afirma que abertura de 437 novos mercados reduziu impacto das tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros/Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Publicado em 17/09/2025 às 15:00

Da redação de LexLegal

As recentes parcerias comerciais do Brasil com novos mercados consumidores foram decisivas para reduzir os efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, afirmou nesta quarta-feira (17) o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.

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De acordo com o ministro, o governo federal adotou uma estratégia de diversificação comercial desde o início da atual gestão, que incluiu a abertura de 437 novos mercados em menos de três anos. A medida teria permitido redirecionar parte da produção que deixou de ser exportada para os EUA após a imposição da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.

“Buscamos a reconexão do Brasil. Abrimos 437 novos mercados nesses dois anos e nove meses. Um recorde absoluto. Nunca tivemos tantas opções”, destacou Fávaro, acrescentando que os esforços continuam, inclusive para tentar reverter a situação com Washington.

Efeitos menores que o esperado

Segundo o ministro, o tarifaço norte-americano poderia ter provocado perdas muito maiores se não houvesse um trabalho preventivo. Além da diversificação de destinos comerciais, o governo reforçou relações multilaterais e firmou acordos bilaterais para ampliar o leque de compradores internacionais.

Entre os exemplos citados por Fávaro está o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que, segundo ele, está “na iminência de criar o maior bloco econômico do mundo”. O ministro também mencionou a aproximação com os países do Brics, além do fortalecimento das relações comerciais com o Oriente Médio e o Sudeste Asiático.

“Isso fez com que o tarifaço dos EUA impactasse muito menos [do que era esperado]. Graças ao trabalho feito preventivamente, e intensificado agora, de aberturas de mercados e de restabelecimento de novas relações multilaterais”, afirmou.

Apoio às empresas afetadas

Para as companhias mais dependentes do mercado norte-americano, o ministro explicou que o governo criou linhas de financiamento de R$ 30 bilhões com juros reduzidos, além de medidas fiscais como o Reintegra especial, que devolve parte dos tributos pagos na exportação.

Outra medida foi a utilização de compras públicas para absorver produtos que deixaram de ser exportados, ajudando a manter a produção e os empregos.

“Estamos atentos para garantir a sobrevivência das empresas e dos empregos também”, disse Fávaro, ao reforçar que a União está adquirindo itens que perderam espaço no mercado externo.

Cenário internacional

tarifaço dos EUA, anunciado pelo governo Donald Trump, fixou taxa de 50% para importações brasileiras de diferentes setores, medida que desencadeou debates sobre uma guerra comercial e seus reflexos sobre o agronegócio e a indústria brasileira.

Embora as exportações tenham sido afetadas, a estratégia de diversificação ajudou a amenizar o impacto. O petróleo, que recentemente ultrapassou a soja como principal produto de exportação do Brasil, continua sendo um dos itens de maior peso na balança comercial, mas o governo insiste na necessidade de reduzir a dependência de um único mercado.

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Fávaro ressaltou que o diálogo permanente com empresários e sociedade civil também orienta as políticas públicas voltadas para setores atingidos. Segundo ele, a meta é garantir que o país consiga manter empregos e renda enquanto busca alternativas para lidar com o ambiente externo adverso.

SÃO PAULO WEATHER