Brasil investiga 6 mortes com suspeita de pancreatite ligadas a canetas emagrecedoras

Da redação de LexLegal
O Brasil registrou seis mortes suspeitas e 225 notificações de pancreatite possivelmente associadas ao uso de canetas emagrecedoras desde 2018. Os dados constam do VigiMed, sistema oficial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que reúne relatos de eventos adversos ligados a medicamentos.
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As notificações envolvem remédios usados no tratamento de diabetes e obesidade. Entre eles estão substâncias como semaglutida, liraglutida, dulaglutida, tirzepatida e lixisenatida, presentes em marcas conhecidas no mercado brasileiro.
A pancreatite é uma inflamação do pâncreas que pode causar dor intensa, náuseas e complicações graves. O efeito adverso já é descrito nas bulas de parte desses medicamentos, embora seja classificado como incomum.
Os casos brasileiros ganharam maior atenção após um alerta divulgado no Reino Unido no início de fevereiro. Lá, autoridades sanitárias investigam 19 mortes suspeitas relacionadas ao uso desses fármacos, o que reacendeu o debate sobre segurança e prescrição.
Especialistas e autoridades sanitárias afirmam que, até o momento, não há indicação para suspensão generalizada do uso das canetas. O foco está na prescrição responsável e no acompanhamento médico contínuo dos pacientes.
Segundo a Anvisa, as 225 notificações incluem tanto casos ocorridos após a entrada dos medicamentos no mercado quanto episódios registrados durante estudos clínicos. Há registros em estados como São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal.
No caso das seis mortes notificadas, a agência informa que os estados de ocorrência não foram detalhados. Todos os registros ainda passam por análise técnica para verificar se existe, de fato, relação causal com os medicamentos.
Especialistas alertam que o número real pode ser maior. A notificação de pancreatite associada a medicamentos não é obrigatória, o que significa que médicos e hospitais não são compelidos a comunicar todos os casos à Anvisa.
Outro ponto de atenção envolve o uso de produtos irregulares. A agência destaca a existência de canetas falsificadas, manipuladas ou vendidas ilegalmente, apresentadas como equivalentes às marcas aprovadas, o que dificulta a análise dos dados.
No Brasil, não há hoje um alerta específico adicional sobre pancreatite além do que já consta nas bulas. Mesmo assim, a Anvisa afirma que intensificou medidas de controle, como a exigência de retenção da receita médica desde abril de 2025.
A agência informou que considera a retenção de receita uma medida eficaz até o momento, mas não descarta adotar novas restrições caso surjam evidências de risco maior à saúde pública.
Em escala global, há 14.530 notificações de pancreatite associadas a medicamentos dessa classe e 378 mortes registradas, segundo dados internacionais compilados por autoridades sanitárias.
Para especialistas, o principal risco segue sendo o uso sem orientação profissional, especialmente no mercado ilegal, que movimentaria cerca de R$ 600 milhões por ano no Brasil. Nessas situações, não há controle de dose, avaliação clínica prévia ou monitoramento adequado.
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Procuradas, as farmacêuticas afirmaram que o risco de pancreatite está descrito nas bulas. A Eli Lilly informou que monitora continuamente os registros de segurança e orienta a interrupção do tratamento em caso de suspeita do efeito adverso.
A Novo Nordisk destacou que há uma advertência de classe para terapias baseadas em incretinas e recomendou cautela, sobretudo em pacientes com histórico prévio de pancreatite, além de acompanhamento médico regular durante o uso.