Brasil investe em energia renovável no oceano com criação do Centro de Energia Azul

Brasil investe em energia renovável no oceano com criação do Centro de Energia Azul
Projeção de plataformas de energia azul desenvolvidas pelo INPO para geração limpa no oceano/Divulgação/Ari Versiani/PAC
Publicado em 08/12/2025 às 12:30

Da redação de LexLegal

O Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO) deu início a um projeto que pode reposicionar o Brasil no mapa global da transição energética: o Centro Temático de Energia Renovável no Oceano, conhecido como Energia Azul. A iniciativa receberá cerca de R$ 15 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e será responsável por desenvolver quatro tecnologias de geração de energia em alto-mar, incluindo sistemas de ondas, correntes de maré, gradiente térmico (OTEC) e produção de hidrogênio verde.

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Segundo o INPO, as soluções têm potencial para reduzir emissões em setores de difícil descarbonização, como plataformas de petróleo, siderurgia, fertilizantes, cimento e transporte. As unidades offshore que utilizam turbinas a gás natural poderiam substituir parte da geração por fontes limpas produzidas no oceano. O diretor-geral do instituto, Segen Estefen, destaca que o país reúne condições técnicas e ambientais para liderar esse movimento. “A disponibilidade de recursos renováveis no oceano e a experiência brasileira em atividades offshore são diferenciais importantes. Podemos transformar o oceano em um aliado estratégico na transição energética, produzindo eletricidade, hidrogênio e água dessalinizada de forma sustentável”, afirma.

O projeto também tem foco na formação de especialistas. Do total captado, R$ 4,3 milhões serão destinados a bolsas de pesquisa para estudantes de mestrado, doutorado e pós-doutorado em parceria com UFRJ, UFPA, UFPE e FGV. A expectativa é criar massa crítica e acelerar a produção de conhecimento sobre energias oceânicas no país.

Outra frente da iniciativa testa, em ambiente físico, a produção de hidrogênio verde a partir de energia eólica offshore, utilizando água dessalinizada para o processo de eletrólise. De acordo com o INPO, essa rota tecnológica ajuda a reduzir o impacto da intermitência e permite estocar energia em forma de hidrogênio, oferecendo estabilidade ao sistema elétrico. Hoje, cerca de 250 gigawatts de projetos de eólica offshore estão em licenciamento no Ibama. Se apenas 20% forem instalados, a matriz elétrica ganharia 50 gigawatts extras, equivalente a quase um quarto da capacidade atual do país.

Entre as tecnologias previstas está uma turbina capaz de operar tanto em correntes marítimas quanto em rios de fluxo contínuo. “Mesmo turbinas de pequeno porte podem alcançar alta capacidade instalada. Isso permite levar energia limpa e contínua a comunidades isoladas, solucionando um problema histórico de acesso à eletricidade”, explica Estefen.

O plano tecnológico inclui ainda um conversor de ondas, um sistema OTEC baseado em ciclo de Rankine com amônia, um módulo de hidrogênio offshore e uma turbina de correntes de maré. Cada equipamento será projetado, construído e testado em laboratório e em ambiente operacional, culminando na entrega de projetos-piloto preparados para instalação no mar.

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Para Estefen, o Centro de Energia Azul será fundamental para impulsionar a maturidade tecnológica do setor. “As energias renováveis offshore encontram-se atualmente em fase pré-comercial, o que exige avanços nos níveis de maturidade tecnológica (TRL). O Centro de Energia atuará justamente nesse estágio intermediário, viabilizando a prova de conceito e o detalhamento de projetos para aplicação em escala real. Ao final do projeto, para cada tecnologia está contemplada a entrega de respectivo projeto-piloto para instalação no mar, etapa que prepara o caminho para aplicações comerciais em larga escala”, conclui.

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