Brasil fecha acordo com a Índia para venda de petróleo e ampliar comércio

Brasil fecha acordo com a Índia para venda de petróleo e ampliar comércio
Vice-presidente Geraldo Alckmin anuncia acordo da Petrobras com a Índia para fornecimento de 6 milhões de barris de petróleo e expansão de cooperação energética e comercial/Tânia Rêgo/Agência Brasil
Publicado em 17/10/2025 às 7:30

Da redação de LexLegal

Durante visita oficial à Índia, o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou que a Petrobras assinou contrato para fornecer 6 milhões de barris de petróleo ao país asiático ao longo de um ano. O acordo integra uma estratégia mais ampla de cooperação energética e comercial entre Brasil e Índia, que buscam estreitar laços e diversificar suas parcerias estratégicas.

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Segundo Alckmin, o plano inclui o lançamento de 18 novos blocos de exploração offshore nas bacias de Santos e Campos, em 2026 — o maior volume de áreas ofertadas pela estatal nos últimos anos. “É recorde. São 18 blocos no ano que vem e um número ainda maior em terra”, afirmou o vice-presidente.

Diplomacia energética e contexto internacional

O novo contrato ocorre em um momento de tensão geopolítica e pressão dos Estados Unidos sobre a Índia, que enfrenta tarifas de até 50% devido à sua compra de petróleo russo. Mesmo sob sanções, a Rússia continua sendo o principal fornecedor de energia para Nova Déli, respondendo por mais de um terço do consumo nacional.

Diante desse cenário, a parceria com o Brasil surge como uma alternativa estratégica para reduzir a dependência indiana de Moscou. O fornecimento de petróleo brasileiro permite à Índia diversificar origens de importação, além de reforçar o papel do Brasil como exportador energético confiável em meio às disputas globais.

Expansão comercial e preferências tarifárias

Além da cooperação energética, a missão brasileira tratou da ampliação do Acordo de Comércio Preferencial Mercosul–Índia, que hoje cobre apenas 450 categorias de produtos com reduções tarifárias limitadas, entre 10% e 20%.

O governo brasileiro pretende expandir o número de produtos beneficiados e aprofundar as preferências comerciais, com o objetivo de elevar o comércio bilateral para US$ 15 bilhões em 2025 e US$ 20 bilhões até 2026.

“Temos um acordo de preferência tarifária que cobre poucas linhas. Podemos ampliar e aprofundar para aumentar nossa competitividade”, afirmou Geraldo Alckmin.

Para a diretora de negócios da ApexBrasilAna Repezza, a revisão do tratado tornou-se essencial diante das incertezas internacionais. “A ampliação tornou-se prioridade estratégica, especialmente após as tensões com os Estados Unidos”, declarou.

Cooperação empresarial e setorial

A comitiva brasileira em Nova Déli reuniu representantes de mais de 20 setores, como agronegócio, tecnologia, energia, infraestrutura e saúde, com foco em ampliar a presença de empresas brasileiras no mercado indiano.

Entre os temas discutidos estão a redução de tarifas de importaçãoo fortalecimento de parcerias industriais e a facilitação de negócios, incluindo a proposta de visto eletrônico para empresários indianos e colaborações na área farmacêutica.

Essas iniciativas refletem o esforço de aproximação estratégica entre Brasil e Índia, dois países que despontam como líderes do Sul Global e buscam consolidar um papel mais ativo no comércio internacional e na governança energética global.

Com a crescente disputa entre grandes potências e a reconfiguração das cadeias energéticas mundiais, o acordo entre Brasil e Índia reforça a autonomia diplomática dos dois países e aproxima economias emergentes em torno de uma agenda pragmática de cooperação.

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Ao diversificar seus mercados, o Brasil fortalece sua presença na Ásia, enquanto a Índia ganha um novo parceiro de energia confiável, em um contexto de transição global e tensões comerciais com os Estados Unidos.


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