Brasil deve bater recorde na produção de carnes em 2026, aponta Conab

Brasil deve bater recorde na produção de carnes em 2026, aponta Conab
Conab prevê recorde histórico na produção de carnes em 2026, com destaque para as proteínas suína e de frango/CNA/Wenderson Araujo/Trilux
Publicado em 13/10/2025 às 16:30

Da redação de LexLegal

O Brasil caminha para atingir um novo recorde na produção de carnes em 2026, segundo o relatório Perspectivas para a Agropecuária – Safra 2025/26, divulgado nesta quinta-feira (18) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estimativa é de que o país produza 32,3 milhões de toneladas de carnes bovina, suína e de frango, superando a marca prevista para este ano, de 32,1 milhões de toneladas — o maior volume já registrado na série histórica.

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De acordo com a Conab, o desempenho positivo será impulsionado, principalmente, pelos setores de carne suína e de frango, que devem atingir 5,8 milhões e 15,9 milhões de toneladas, respectivamente. Ambos representam os maiores volumes já projetados pela estatal. “O bom resultado é influenciado pelo aumento na produção de carne suína e de frango, que devem chegar a aproximadamente 5,8 milhões de toneladas e 15,9 milhões de toneladas, respectivamente, os maiores volumes já registrados pela estatal”, informou a Conab.

O levantamento também aponta recorde para a safra de grãos 2025/26, reforçando o papel do agronegócio brasileiro na sustentação da economia nacional, mesmo diante das incertezas externas e dos efeitos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

A produção de carne bovina, por sua vez, deverá ter uma leve retração em 2026. Após o recorde de 11 milhões de toneladas em 2024, a expectativa é de 10,9 milhões em 2025 e 10,6 milhões em 2026, o que a Conab atribui à reversão de ciclo pecuário — um movimento de mercado entre períodos de alta e baixa nos preços, influenciado pelo número de fêmeas abatidas e pela reposição de bezerros. A tendência, segundo a estatal, é que o setor volte a crescer nos anos seguintes.

Apesar do impacto inicial das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos, o efeito foi menor do que o previsto. O gerente de Fibras e Alimentos da Conab, Gabriel Corrêa, explicou que o setor conseguiu se adaptar rapidamente. “A gente imaginava inicialmente que [o tarifaço] poderia forçar o produto a ficar mais aqui dentro do país. Na verdade, o efeito foi o contrário, uma vez que algumas das principais empresas do setor têm operação nos Estados Unidos, e puderam importar e estocar [nos EUA] altos volumes antes da tarifa entrar em vigor”, afirmou.

O analista destacou ainda que a China compensou parte da redução das exportações para o mercado norte-americano. “A China, que já absorve mais da metade da nossa carne, acabou pegando boa parte dessa fatia que os Estados Unidos deixaram de importar. O resultado é que estamos há dois ou três meses seguidos batendo recordes de exportação”, disse Corrêa.

No caso do frango, a Conab prevê que o país mantenha um ritmo de crescimento constante, impulsionado pela demanda internacional e pelo consumo interno. A estatal projeta 5,4 milhões de toneladas exportadas em 2026, além de 10,6 milhões de toneladas destinadas ao mercado doméstico, o que representa uma disponibilidade de 51,1 quilos por habitante. Mesmo com o registro de um caso isolado de gripe aviária no Rio Grande do Sul em maio, o segmento manteve estabilidade e deve seguir em expansão.

A carne suína também deve alcançar novo patamar de produção, acompanhando o crescimento das exportações. A Conab estima que o Brasil atinja 4,3 milhões de toneladas disponíveis internamente e 1,5 milhão de toneladas exportadas, um volume recorde. O bom desempenho é atribuído à competitividade da proteína brasileira, à eficiência produtiva e à demanda consistente de mercados asiáticos, como Filipinas, Japão, Coreia do Sul e Cingapura, que têm aumentado as importações diante da menor demanda da China.

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O relatório reforça que o agronegócio brasileiro segue como um dos principais vetores de crescimento do país, com papel decisivo na geração de divisas e no equilíbrio da balança comercial. O desafio, segundo a Conab, está em sustentar esse ritmo de expansão com responsabilidade ambiental, investimento em tecnologia e rastreabilidade das cadeias produtivas, garantindo segurança alimentar e competitividade internacional.

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