Brasil cria quase 149 mil empregos formais em maio, com destaque para jovens e mulheres

Da redação de LexLegal
O mercado de trabalho brasileiro encerrou o mês de maio com saldo positivo de 148.992 novos postos de trabalho com carteira assinada, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (30) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). As informações são do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), sistema que acompanha mensalmente as contratações e demissões no país com base nos registros formais.
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No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o país já soma mais de 1 milhão de novas vagas formais, totalizando 1.051.244 postos e crescimento de 2,3% em relação ao estoque existente no início de 2025. Atualmente, o Brasil conta com 48,2 milhões de vínculos de trabalho formal ativos, número que reforça a retomada gradual do emprego em diversos setores da economia.
O saldo positivo de maio foi resultado de 2.256.225 admissões contra 2.107.233 desligamentos. Ou seja, para cada cem pessoas contratadas no mês, cerca de 93 foram demitidas — gerando um saldo líquido de quase 149 mil vagas. Os cinco principais setores econômicos registraram geração líquida de empregos, com destaque para o setor de serviços, que criou 70.139 postos. Em seguida vieram o comércio (23.258), a indústria (21.569), a agropecuária (17.348) e a construção civil (16.678).
Juventude em destaque
Entre os recortes por faixa etária, a maior parte das novas vagas foi preenchida por jovens entre 18 e 24 anos, que somaram 98.003 empregos criados no mês. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, comemorou o resultado e rebateu críticas sobre a suposta falta de interesse da juventude no trabalho formal:
“Dos 148 mil [postos de trabalho], nós temos a esmagadora maioria de jovens. Então, derruba por terra essa certeza de muita gente de que os trabalhadores jovens não estão aceitando ir para o mercado de trabalho”, afirmou Marinho.
Ainda assim, o ministro alertou que os salários baixos seguem sendo um fator de afastamento da juventude do mercado formal. O salário médio de admissão em maio foi de R$ 2.248,71, com queda de 0,5% em relação a abril, o que acende um sinal de alerta.
“O que mais afasta os jovens do mercado formal são os baixos salários oferecidos”, afirmou o ministro. Segundo ele, é necessária uma revisão dos pisos salariais para garantir maior atratividade ao primeiro emprego.
Mulheres e grupos vulneráveis
Outro destaque do relatório do Novo Caged foi o crescimento mais expressivo das vagas entre mulheres do que entre homens: foram 78.025 vagas preenchidas por trabalhadoras, contra 70.967 por trabalhadores homens.
O relatório também mostra que o maior número de vagas foi ocupado por pessoas com ensino médio completo (113.213 postos) e por pessoas autodeclaradas pardas (116.476 postos). No caso das pessoas com deficiência (PCDs), houve saldo positivo de 902 empregos formais, indicando uma leve melhora na inclusão desse grupo no mercado de trabalho.
Panorama regional
Na divisão por estados, São Paulo liderou a geração de empregos em maio, com 33.313 novas vagas, seguido por Minas Gerais (20.287) e Rio de Janeiro (13.642). O Acre apresentou o maior crescimento relativo, com variação de 1,24% no número total de vínculos formais. A única unidade da federação que registrou saldo negativo foi o Rio Grande do Sul, com 115 postos de trabalho a menos — um reflexo dos impactos das enchentes que afetaram severamente a economia local.
Setores econômicos
O setor de serviços, que inclui atividades como educação, saúde, transporte e tecnologia da informação, manteve sua posição como principal motor de geração de empregos, reflexo da retomada de atividades presenciais e do crescimento do consumo.
Na indústria da transformação, foram criados 20.287 empregos, com destaque para os segmentos de alimentos, metalurgia e fabricação de máquinas. No comércio, os números também foram expressivos, com a criação de 35.901 vagas, puxadas por setores de varejo e atacado.
A agropecuária, tradicionalmente mais oscilante devido a fatores sazonais, teve resultado positivo, impulsionada pelo início da safra de inverno e pela recuperação de áreas produtivas após eventos climáticos adversos no início do ano.
Embora o saldo de maio seja animador, os analistas alertam que a qualidade das vagas ainda é um desafio. A predominância de postos com remuneração mais baixa, especialmente para jovens e mulheres, aponta para a necessidade de políticas públicas voltadas à valorização do trabalho e à capacitação profissional.
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Além disso, os efeitos da inflação acumulada, da desaceleração econômica global e da política monetária restritivaainda impõem obstáculos para a geração de empregos mais qualificados e duradouros.