Brasil cobra libertação imediata de 11 brasileiros detidos por Israel em flotilha humanitária

Da redação de LexLegal
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) divulgou uma nota oficial exigindo a libertação imediata dos 11 brasileiros detidos após a interceptação da Flotilha Global Sumud, que tentava levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza e foi abordada por forças militares israelenses em águas internacionais.
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Segundo o comunicado, o Brasil também solicita que diplomatas da embaixada brasileira em Tel Aviv tenham acesso imediato aos ativistas sob custódia. A chancelaria israelense já foi notificada da posição brasileira, que considera a operação uma violação ao direito internacional de navegação, previsto pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.
No campo jurídico, a questão central está no direito de livre navegação em águas internacionais. De acordo com o direito internacional humanitário, embarcações com caráter estritamente humanitário não podem ser interceptadas arbitrariamente, salvo em situações de ameaça iminente ou comprovado risco de transporte ilícito, como armas. O Brasil defende que a ação contra a flotilha, que levava alimentos, remédios e água potável, configura detenção ilegal de ativistas pacíficos.
A nota do Itamaraty reforça. “Operações de caráter estritamente humanitário devem ser autorizadas e facilitadas por todas as partes em conflito, não podendo ser arbitrariamente obstadas ou consideradas ilícitas. O Brasil conclama a comunidade internacional a exigir de Israel a cessação do bloqueio à Gaza, por constituir grave violação ao direito internacional humanitário.”
Brasileiros capturados
Entre os detidos estão o ativista Thiago de Ávila e Silva Oliveira, a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), a vereadora de Campinas Mariana Conti (PSOL-SP), além de Bruno Gilga, Lisiane Proença Severo, Magno de Carvalho Costa, Ariadne Catarina Cardoso Teles, Mansur Peixoto, Gabrielle da Silva Tolotti, Mohamad Sami El Kadri e Lucas Farias Gusmão.
A flotilha, formada por cerca de 50 embarcações com 443 voluntários de 47 países, buscava romper o bloqueio israelense para entregar ajuda humanitária em Gaza, território devastado após quase dois anos de guerra.
Repercussão internacional
Organizações como a Anistia Internacional classificaram a interceptação como ilegal. Em nota, a entidade destacou que “nenhuma regra do direito internacional autoriza ataques a embarcações em livre navegação em águas internacionais”. O episódio gerou condenação de diferentes países e pressiona Israel a justificar a operação diante da comunidade internacional.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel, em resposta, declarou que todos os passageiros estavam seguros e seriam deportados para a Europa após desembarque em território israelense.
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O incidente pode ampliar tensões diplomáticas entre Brasil e Israel. O governo brasileiro tem defendido a necessidade de corredores humanitários em Gaza e já vinha criticando o bloqueio imposto por Israel. Agora, com cidadãos brasileiros entre os detidos, a pressão aumenta para que o episódio seja tratado em instâncias multilaterais, como o Conselho de Segurança da ONU.