Brasil-China: bilhões em acordos e nova aliança estratégica

Brasil-China: bilhões em acordos e nova aliança estratégica
Entre os acordos estão o compartilhamento de dados espaciais chineses com o Brasil e países latino-americanos e caribenhos/Agência Brasil
Publicado em 14/05/2025 às 11:54

André Pereira César – Brasília

A princípio, o saldo da visita do presidente Lula (PT) à China pode ser considerado positivo. Os acordos assinados com Pequim deverão trazer um bom volume de recursos ao Brasil em diferentes – e muitas vezes estratégicas – áreas.

Aos números. No total, os dois países assinaram 36 acordos que abordam temas como energia, sustentabilidade, agronegócio, finanças e tecnologia. Espera-se que os chineses aportem no Brasil cerca de R$ 27 bilhões em investimentos e negócios. O movimento, além disso, reforça ainda mais os laços entre Brasília e Pequim, exatamente no momento em que o governo do republicano Donald Trump, por seus atos, perde credibilidade junto à comunidade internacional.

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Alguns acordos anunciados, em especial, chamam a atenção. Entre eles estão o compartilhamento de dados espaciais chineses com o Brasil e países latino-americanos e caribenhos; o memorando de cooperação entre o Banco Central brasileiro e o Banco Popular da China sobre Cooperação Estratégica no Campo Financeiro; a Cooperação entre os dois países para a restauração de vegetações e sumidouros de carbono; e o memorando de Entendimento sobre o Reforço da Cooperação em Inteligência Artificial.

Além disso, uma gigante rede de fast food chinesa entrará no Brasil, com a perspectiva de criação de 28 mil empregos, e uma montadora daquele país instalará uma fábrica no Brasil. Boas notícias em tempos de grandes dificuldades econômicas e comerciais em todo o planeta.

Cabe ressaltar aqui que o Brasil é dos poucos países latino-americanos que não aderiram à nova Rota da Seda chinesa, ora em curso. Mesmo assim, alguns entendimentos assinados em Pequim indicam que o governo Lula está disposto a conversar sobre o assunto.

Há ainda outra questão, essa de caráter eminentemente político. Lula e Xi Jinping poderão entrar no processo de negociação para que a invasão russa na Ucrânia seja encerrada. Missão difícil e espinhosa mas que, caso dê resultados positivos, contará muitos pontos favoráveis aos dois líderes – e a outros que também estiverem envolvidos nas conversas.

Por fim, houve a controvérsia envolvendo a primeira-dama Janja e o líder chinês, controvérsia essa em torno do Tiktok. Dado o perfil da esposa de Lula, o assunto gerou ruídos dentro da comitiva presidencial mas, a rigor, não atrapalhou as negociações. Segue o jogo.

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Há quem diga que o Brasil pode estar se expondo em excesso aos chineses. Talvez seja de fato uma realidade, mas os riscos são calculados – e Brasília continua a buscar parceiros comerciais alternativos.

*André Pereira César é cientista político e sócio da Hold Assessoria Legislativa.

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