Brasil ainda tem 3 em cada 10 lares sem rede de esgoto, aponta IBGE

Brasil ainda tem 3 em cada 10 lares sem rede de esgoto, aponta IBGE
Mais de 29% dos lares brasileiros ainda não têm ligação à rede geral de esgoto, revela IBGE/Arquivo/Fernando Frazão/Agência Brasil
Publicado em 22/08/2025 às 13:30

Da redação de LexLegal

O Brasil ainda enfrenta grandes desigualdades no acesso a saneamento básico. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), divulgados nesta sexta-feira (22) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que, em 2024, cerca de 29,5% dos domicílios não tinham ligação com a rede geral de esgoto — ou seja, três em cada dez lares permaneciam sem cobertura adequada.

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O levantamento compara a situação de 2024 com a de 2019, quando 68% das residências estavam conectadas à rede e 32% não tinham acesso. Atualmente, o grupo de 70,4% dos domicílios com esgotamento inclui tanto os lares ligados diretamente a redes coletoras quanto aqueles com fossas sépticas integradas ao sistema.

Diferenças regionais

O estudo revelou forte disparidade entre as regiões. O Sudeste apresentou os melhores índices, com 90,2% dos domicílios ligados à rede geral, enquanto o Norte registrou apenas 31,2%, com destaque para o alto percentual de lares que utilizam fossas rudimentares, valas ou córregos (36,4%).

Entre os estados, São Paulo (94,1%), Distrito Federal (91,1%) e Rio de Janeiro (89,2%) lideram o ranking positivo. No extremo oposto, Piauí (13,5%), Amapá (17,8%) e Rondônia (18,1%) apresentaram os menores índices.

Quando se observa a diferença entre áreas urbanas e rurais, o contraste é ainda mais evidente: nas cidades, 78,1% dos domicílios contam com esgoto ligado à rede, enquanto, no campo, apenas 9,4%.

Abastecimento de água

No que diz respeito ao fornecimento de água, 86,3% das residências brasileiras têm a rede geral como principal forma de abastecimento. Contudo, apenas 88,4% recebem água diariamente. O Distrito Federal (98,2%) e Mato Grosso do Sul (98%) figuram no topo, enquanto Pernambuco (44,3%) e Acre (48,5%) ficam entre os piores resultados.

Coleta de lixo

A coleta de lixo atinge 86,9% dos domicílios, mas no Norte (14,4%) e no Nordeste (13,1%) ainda há índices preocupantes de famílias que queimam resíduos domésticos, prática que ultrapassa o dobro da média nacional.

Estrutura das residências

O levantamento também apontou evolução na qualidade das moradias, especialmente no Norte. Entre 2016 e 2024, a proporção de domicílios da região com paredes de alvenaria com revestimento passou de 61,5% para 71,2%. No mesmo período, o percentual de residências com pisos de cerâmica, lajota ou pedra aumentou de 58,2% para 69,3%.

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Esses números evidenciam avanços pontuais, mas reforçam a persistência de um cenário desigual no país. A falta de saneamento básico adequado compromete não apenas a qualidade de vida, mas também a saúde pública, sendo apontada por especialistas como um dos principais fatores de propagação de doenças de veiculação hídrica.

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