Brasil acompanha saída de turistas da Venezuela após ataques dos EUA

Da redação de LexLegal
O governo brasileiro informou que cerca de 100 brasileiros que estavam em viagem turística na Venezuela atravessaram a fronteira terrestre com o Brasil, em Roraima, após os ataques realizados pelos Estados Unidos contra o país vizinho. Segundo o Itamaraty, a entrada ocorreu de forma organizada e sem registro de incidentes.
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A situação da comunidade brasileira na Venezuela segue sendo monitorada pelas autoridades diplomáticas. A ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, afirmou que a embaixada do Brasil em Caracas mantém acompanhamento constante dos desdobramentos políticos e de segurança. “Nossa embaixada em Caracas segue acompanhando com atenção não apenas o desenrolar dos acontecimentos, mas também a situação da comunidade brasileira naquele país. Não havendo qualquer relato de vítimas ou feridas na comunidade brasileira”, disse.
Maria Laura ocupa interinamente o comando do Itamaraty durante o período de férias do ministro Mauro Vieira, que interrompeu o descanso e retornou a Brasília neste sábado para acompanhar de perto a crise envolvendo a Venezuela. A ministra falou com a imprensa após a segunda reunião emergencial realizada ao longo do dia no Ministério das Relações Exteriores.
O encontro foi coordenado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reuniu integrantes do núcleo central do governo. Participaram os ministros da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, da Defesa, José Múcio, e da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, além da ministra interina da Casa Civil, Miriam Belchior. Também estiveram presentes a embaixadora do Brasil em Caracas, Glivânia Maria de Oliveira, e representantes da Secretaria de Relações Institucionais.
Após a reunião, o ministro da Defesa reforçou que a situação na fronteira permanece estável. “Da maneira que está tudo calmo, as fronteiras estão abertas, não há nenhuma restrição. O brasileiro que estiver lá pode vir, procure o seu embaixador, o embaixador ajudou, a vice-cônsul brasileira lá também tem ajudado bastante, de maneira que nós estamos só de plantão para ver se surgem novos acontecimentos”, afirmou José Múcio.
Questionada sobre quem o Brasil reconhece como autoridade máxima da Venezuela neste momento, a ministra interina do Itamaraty afirmou que o governo brasileiro considera a vice-presidente Delcy Rodríguez como chefe de Estado interina. “Na ausência do atual presidente, Maduro, é vice-presidente. Ela está como presidente interina”, declarou.
Maria Laura informou ainda que o Brasil participará de duas instâncias internacionais nos próximos dias para tratar da crise. Neste domingo (4), o país estará representado em reunião ministerial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Já na segunda-feira (5), o tema será debatido no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Em ambas as ocasiões, a posição brasileira será a de condenação da ação militar norte-americana.
“O Brasil continua sendo a favor do direito internacional, que é a posição tradicional brasileira contra qualquer tipo de invasão territorial, é pela soberania dos países”, afirmou a ministra. Mais cedo, em comunicado oficial, o presidente Lula já havia classificado o ataque como violação do direito internacional.
A ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela recoloca em evidência o histórico de intervenções diretas de Washington na América Latina. O último episódio desse tipo ocorreu em 1989, no Panamá, quando forças americanas prenderam o então presidente Manuel Noriega, acusado de envolvimento com o narcotráfico.
De forma semelhante, o governo dos EUA acusa Nicolás Maduro de liderar o chamado Cartel de los Soles, supostamente ligado ao tráfico internacional de drogas. Maduro nega as acusações, e especialistas no tema questionam a existência e a estrutura desse cartel. Até recentemente, os Estados Unidos ofereciam uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão do presidente venezuelano.
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Para críticos da operação, a ação militar vai além do discurso de combate ao narcotráfico e se insere em uma estratégia geopolítica mais ampla. O objetivo seria afastar a Venezuela da órbita de países considerados adversários globais de Washington, como China e Rússia, além de ampliar o controle sobre o petróleo venezuelano, país que concentra as maiores reservas comprovadas do mundo.