Boletim Focus mostra inflação em alta e dólar em queda após tensão externa

Relatório aponta inflação pior e melhora em contas externas/
Da Redação de LexLegal
O relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (27) mostra um cenário econômico com direções opostas: inflação mais alta, dólar mais baixo e melhora em indicadores externos. O levantamento, feito semanalmente pelo Banco Central com projeções do mercado financeiro, reflete os efeitos recentes da instabilidade internacional provocada pelo conflito no Oriente Médio e mudanças nas expectativas internas.
Inflação sobe e preocupa mercado
As projeções para a inflação voltaram a subir. O mercado financeiro elevou, pela sétima semana seguida, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, que é o indicador oficial usado para medir a inflação no país.
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Agora, a previsão é de que a inflação feche o período em 4,86%. Há quatro semanas, essa estimativa era menor, em 4,31%. Na edição anterior do boletim, a projeção estava em 4,80%.
Esse movimento indica que o mercado vê maior pressão sobre preços ao longo do ano. Em março, por exemplo, a alta de custos em transportes e alimentação fez a inflação mensal chegar a 0,88%. No mês anterior, fevereiro, a inflação havia sido de 0,7%.
No acumulado dos últimos 12 meses, o índice ficou em 4,14%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, responsável pelos indicadores oficiais de preços.
O economista André Perfeito resume o cenário como instável e com sinais divergentes. “O relatório Focus divulgado hoje traz, como não podia ser diferente, sinais mistos na esteira da volatilidade criada pelo conflito no Oriente Médio”, diz.
Dólar recua e contas externas mostram melhora
Apesar da inflação em alta, outros indicadores apontam melhora. Um deles é a projeção para o dólar. A expectativa atual é de que a moeda norte-americana termine o ano em R$ 5,25. Há quatro semanas, a previsão era mais alta, em R$ 5,40. Essa redução indica menor pressão cambial nas estimativas do mercado.
Além do câmbio, outros indicadores menos observados também mostraram melhora. O déficit em conta corrente, que mede o saldo das transações do país com o exterior, caiu na projeção mais recente. Um mês atrás, era estimado em US$ 65 bilhões. Agora, está em US$ 61,2 bilhões.
Outro dado relevante é o saldo da balança comercial, que representa a diferença entre exportações e importações. A projeção subiu para US$ 75 bilhões, acima dos US$ 70 bilhões estimados anteriormente.
Esse desempenho positivo tende a manter resultados elevados nos próximos anos, segundo as estimativas mais recentes.
Juros continuam elevados para conter inflação
Para tentar controlar a inflação, o Banco Central utiliza como principal ferramenta a taxa básica de juros da economia, conhecida como taxa Selic. Essa taxa influencia o custo do crédito, financiamentos e investimentos.
Atualmente, a Selic está em 14,75% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central. O mercado financeiro projeta que os juros devem terminar o ano em 13%. Essa previsão é igual à da semana passada, mas maior do que a estimativa feita há quatro semanas, que era de 12,5%.
Para os anos seguintes, a expectativa é de juros em 11% em 2027 e 10% em 2028. O histórico recente mostra que os juros passaram por uma sequência de altas. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes seguidas.
Crescimento econômico segue moderado
As projeções para o crescimento da economia permanecem moderadas. O Produto Interno Bruto, que mede a soma de todas as riquezas produzidas no país, deve crescer 1,85% em 2026. Esse número representa leve redução em relação à estimativa anterior, que era de 1,86%.
Para 2027, a projeção é de crescimento de 1,80%. Para 2028, o cenário aponta crescimento próximo de 2%. Esses números indicam expansão lenta da economia, sem grandes saltos de atividade no curto prazo.
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“O Saldo Comercial positivo é uma grande novidade macroeconômica, afinal podemos contar agora com uma demanda mais perene no setor externo e assim suavizar o esforço doméstico em elevar a demanda”, avalia André Perfeito.