Boletim Focus mantém estáveis projeções para inflação, PIB e Selic

Boletim Focus mantém estáveis projeções para inflação, PIB e Selic
Proposta permite ao BC manter receitas próprias e segue para votação no Senado/Agência Brasil
Publicado em 22/09/2025 às 12:30

Da redação de LexLegal

O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central (BC), mostrou estabilidade nas projeções do mercado financeiro para os principais indicadores da economia brasileira em 2025. O relatório semanal manteve em 4,83% a estimativa de inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

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Há quatro semanas, a expectativa era de 4,86%. Para os anos seguintes, o mercado projeta inflação de 4,29% em 2026 e 3,90% em 2027. O resultado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforça esse cenário: em agosto, o país registrou deflação de -0,11%, a primeira desde agosto de 2024. No caso do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), a queda foi ainda mais intensa, de -0,21%.

PIB

A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) também permaneceu estável. O Focus projeta expansão de 2,16% em 2025, praticamente igual ao percentual estimado há quatro semanas (2,18%). Para os anos seguintes, o mercado espera avanço de 1,80% em 2026 e 1,90% em 2027.

Selic

A taxa básica de juros, principal instrumento do BC para controlar a inflação, deve encerrar 2025 em 15% ao ano, segundo o relatório. Esta é a 13ª semana consecutiva em que a projeção é mantida no mesmo patamar, acompanhando a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).

O colegiado justificou a manutenção da Selic ao apontar riscos no cenário internacional. “Em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos”, disse o Copom, destacando que a situação demanda cautela “por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica”.

Internamente, o Banco Central observa que a atividade econômica vem desacelerando, mas o mercado de trabalho ainda mostra dinamismo. A inflação, contudo, segue acima da meta.

Na prática, juros elevados encarecem o crédito e incentivam a poupança, contendo a demanda e ajudando a controlar a inflação. Por outro lado, também podem frear a atividade econômica.

Dólar

O câmbio também permaneceu sem alterações nas projeções. O mercado espera que o dólar encerre 2025 cotado a R$ 5,50, valor próximo da previsão de quatro semanas atrás, quando o boletim indicava R$ 5,59. Para 2026 e 2027, a expectativa é de R$ 5,60. Atualmente, a moeda americana está em torno de R$ 5,32.

Comportamento do BC

O economista André Perfeito avalia que o horizonte de maior atenção para o Banco Central está em 2027. “O horizonte relevante para a autoridade monetária está lá no início de 2027 e por isso todos olham para as projeções deste ano pelo relatório Focus. Contudo, apesar da desaceleração recente das projeções de 2025 e 26, a projeção para 2027 não recuou no relatório de hoje”, afirmou.

Segundo ele, essa situação limita a atuação da política monetária no curto prazo. “Isso impede que o Copom inicie um corte antes do fim desse ano e assim a Selic fica estável até fim de 2025 em 15%”, diz.

Perfeito ressalta ainda que há incertezas externas que tornam difícil prever o comportamento da inflação a médio e longo prazo. “Na minha opinião pessoal as expectativas para um horizonte tão longo estão obstruídas por um conjunto grande de fatores incertos e que não se resolverão de maneira usual. Estamos falando de Trump e o estado de ânimo geral do mundo e se o mercado resolver esperar isso clarear para então fazer uma projeção mais ‘acertada’ é melhor esperar sentado. Nada disso vai ser resolvido em nenhum horizonte razoável.”

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Ele pondera que, se o Copom continuar olhando apenas para as expectativas como variável central, haverá risco de um bloqueio nas decisões. “O ponto é: se o Copom continuar olhando as expectativas como única variável relevante (não que não seja, o sistema é inteiro calçado nisso) iremos ficar num impasse intransponível. O ideal seria introduzir, via comunicação que seja, outros critérios para validar as decisões como o Índice de Commodities ou mesmo projeções de IGP-M que em tese indexam os contratos. Seja como for a resposta sobre se haverá ou não corte de juros este ano parece simples: com 2027 parado a resposta é não”, conclui.


SÃO PAULO WEATHER