Black Friday deve movimentar R$ 5,4 bilhões e atingir recorde de vendas no comércio

Black Friday deve movimentar R$ 5,4 bilhões e atingir recorde de vendas no comércio
© Paulo Pinto/Agência Brasil
Publicado em 21/11/2025 às 13:00

Da redação de LexLegal

O comércio brasileiro deve registrar um faturamento recorde de R$ 5,4 bilhões durante a Black Friday deste ano, segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A estimativa considera todo o mês de novembro — e não apenas a sexta-feira promocional do dia 28 — refletindo um comportamento que já se consolidou entre consumidores e varejistas no país.

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O valor projetado representa um crescimento de 2,4% em relação ao movimento registrado em 2023, já descontada a inflação. Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, a expansão está diretamente ligada à forma como o evento se espalhou ao longo do mês. “Isso é uma característica da Black Friday brasileira”, destacou em entrevista à Agência Brasil.

Atualmente, a data já figura como a quinta mais importante para o varejo, atrás apenas do Natal, Dia das Mães, Dia das Crianças e Dia dos Pais.

O estudo da CNC aponta que setores como hiper e supermercados, eletroeletrônicos, móveis, vestuário e cosméticos devem liderar o faturamento. O desempenho reforça um cenário marcado, segundo a entidade, pela desvalorização do dólar, o que torna produtos importados mais baratos, pela queda da inflação e pela melhora no mercado de trabalho. A taxa de desemprego registrada pelo IBGE ficou em 5,6% no trimestre encerrado em setembro, o menor nível desde 2002.

Mesmo com expectativas positivas, fatores como juros altos e endividamento das famílias ainda limitam um avanço maior. Dados do Banco Central mostram taxa média de juros de 58,3% ao ano no crédito livre para pessoas físicas — o maior patamar para esta época desde 2017. Já um levantamento da própria CNC indica que 30,5% das famílias estão com contas em atraso. A concorrência direta com varejistas estrangeiras, que ganharam presença no Brasil com preços agressivos, também pressiona o comércio nacional.

A CNC monitorou 150 itens de 30 categorias ao longo de novembro e constatou que 70% delas apresentam forte potencial de redução, com tendência de queda de preços superior a 5%. As maiores baixas foram registradas em produtos de papelaria, livros, joias e bijuterias, perfumaria, utilidades domésticas, higiene pessoal e moda.

Inspirada no modelo norte-americano, a Black Friday brasileira ganhou força a partir de 2010, quando movimentou R$ 1,52 bilhão, restrita a poucos segmentos. Hoje, tornou-se uma das principais datas do calendário nacional de consumo, mas também exige maior atenção. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) reforça que, junto com as promoções, aumentam as tentativas de golpes e práticas enganosas.

A Senacon orienta que consumidores desconfiem de descontos muito acima do normal, verifiquem a reputação das lojas e confirmem políticas de entrega e devolução. Compras online continuam asseguradas pelo direito de arrependimento de sete dias. Em caso de suspeita de fraude, a recomendação é registrar reclamação no consumidor.gov.br ou nos Procons estaduais.

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O alerta também vale para golpes que utilizam inteligência artificial. Uma pesquisa do Reclame Aqui aponta que 63% dos consumidores não conseguem identificar vídeos, mensagens ou anúncios adulterados por IA. Especialistas do escritório Baptista Luz Advogados destacam sinais como vozes sintéticas, imagens distorcidas, perfis falsos com aparência profissional e conteúdos que simulam atendimentos automatizados.

SÃO PAULO WEATHER