Bilhetes com ordens do PCC mostram ligação de Deolane com facção

Bilhetes com ordens do PCC mostram ligação de Deolane com facção
Operação do Ministério Público e da Polícia Civil prendeu Deolane Bezerra e bloqueou mais de R$ 327 milhões/dra.deolanebezerra/Instagram
Publicado em 22/05/2026 às 7:00

Da Redação de LexLegal

Bilhetes apreendidos em 2019 dentro de um presídio em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, abriram caminho para a investigação que levou à prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra na Operação Vérnix, deflagrada nesta quinta-feira (21) pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, os recados encontrados na penitenciária continham ordens internas do Primeiro Comando da Capital, o PCC. O nome de Deolane não aparecia nos bilhetes, mas as apurações apontaram que ela teria recebido dinheiro de uma transportadora ligada à facção criminosa.

Leia também: Mais de 500 mil brasileiros pedem bloqueio em bets por perda de controle em apostas online

De acordo com os investigadores, os valores eram movimentados entre diferentes contas para dificultar o rastreamento bancário. Duas dessas contas estariam em nome de Deolane, apontada pelo Ministério Público como integrante do esquema de lavagem de dinheiro.

A operação também teve como alvos Marco Herbas Camacho, conhecido como Marcola e apontado como líder do PCC; Alejandro Camacho, irmão de Marcola; Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do chefe da facção; e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, também sobrinho de Marcola.

Paloma é considerada foragida na Espanha. Leonardo estaria na Bolívia. Os investigados passaram a integrar a Lista Vermelha da Interpol, mecanismo internacional usado para localização e prisão de procurados em diferentes países.

Foram expedidos seis mandados de prisão preventiva, tipo de prisão autorizada antes de condenação definitiva para evitar fuga ou interferência nas investigações. A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 327 milhões, além da apreensão de 17 carros de luxo e quatro imóveis.

Segundo Lincoln Gakiya, promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo e integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o GAECO, os bilhetes encontrados em 2019 permitiram identificar a estrutura financeira usada pela facção.

“A empresa pertencia de fato à família Camacho, onde foi lavado esse dinheiro. O Marcola tem mais de 300 anos de pena para cumprir e ele certamente responderá a um novo processo, provavelmente sofrendo condenação nesse caso”, afirmou o promotor.

As investigações apontam que a transportadora sediada em Presidente Venceslau seria usada para movimentar recursos da facção. O Ministério Público suspeita que parte desse dinheiro foi incorporada a atividades empresariais e contratos ligados à influenciadora.

“Nesse período de sete anos, mas principalmente de 2022 em diante, ela teve um aumento muito grande em seu faturamento. Inclusive sem correlação com o trabalho prestado. Então, isso vai gerar sonegação fiscal, vai gerar outras lavagens”, disse Gakiya.

A apuração também envolve quebra de sigilos bancário e fiscal, medidas autorizadas pela Justiça para acesso a movimentações financeiras e declarações tributárias dos investigados. Segundo o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, as análises indicaram conexões entre Deolane e diferentes braços do crime organizado.

“Quando é necessário, esses recursos retornam para o crime organizado. A prisão de uma influencer como essa, com mais de 20 milhões de seguidores, tem caráter pedagógico. Esperamos que cause um efeito de inibição”, afirmou Paulo Sérgio de Oliveira e Costa.

Veja também: Novas regras obrigam big techs a derrubarem conteúdos criminosos sem ordem judicial

O Ministério Público afirma que a investigação começou há sete anos e ainda pode ter novos desdobramentos envolvendo operadores financeiros, empresas e pessoas ligadas ao grupo investigado. A Operação Vérnix mira estruturas financeiras usadas para ocultar recursos do PCC, organização criminosa investigada por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e movimentação internacional de patrimônio.

SÃO PAULO WEATHER