BC lança ferramenta para bloquear abertura indevida de contas bancárias

BC lança ferramenta para bloquear abertura indevida de contas bancárias
Novo sistema permite restringir tentativas de abertura de contas com dados falsos ou usados de forma fraudulenta/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Publicado em 02/12/2025 às 5:12

Da redação de LexLegal

O Banco Central colocou em funcionamento nesta segunda-feira (1º) um mecanismo que permite a pessoas físicas e jurídicas restringirem totalmente a abertura de contas bancárias sem autorização. A ferramenta, batizada de BC Protege+, funciona como uma camada adicional de proteção, voltada a impedir fraudes envolvendo identidade falsa, uso indevido de CPF ou CNPJ e inclusão indevida como titular ou representante em contas de terceiros.

Leia também: STF veta candidaturas sem partido e reafirma exigência de filiação partidária

O funcionamento é simples: ao ativar o recurso, o cidadão informa ao Sistema Financeiro Nacional que não aceita a abertura de contas em seu nome. A instituição financeira, ao tentar criar uma nova conta vinculada àquele CPF ou CNPJ, é obrigada a consultar o sistema. Caso haja bloqueio, o pedido é automaticamente negado.

Logo nas primeiras horas de operação, quase 8 mil usuários ativaram a proteção, e 263 tentativas de abertura foram barradas. Os dados, divulgados pelo próprio Banco Central, evidenciam a relevância da medida em um cenário de aumento de fraudes envolvendo abertura de contas digitais.

O chefe do Departamento de Atendimento Institucional do BC, Carlos Eduardo Gomes, reforçou a importância de o cidadão assumir papel ativo na proteção dos próprios dados. “As instituições são obrigadas a fazer consulta para qualquer abertura [de conta] a partir de hoje. É um novo procedimento que os cidadãos precisam aprender”, afirmou.

A diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta do BC, Izabela Correa, destacou que o mecanismo integra uma estratégia mais ampla de fortalecimento da segurança no relacionamento financeiro. “O BC Protege+ é uma das diversas ações que adotamos, no âmbito do Banco Central, para oferecer ferramentas ao cidadão e à cidadã para acompanhamento de sua vida financeira e também sua proteção”, disse.

O acesso é realizado pela conta Gov.br, nos níveis prata ou ouro, com verificação em duas etapas habilitada. Depois de entrar na área logada do Meu BC, o usuário pode ativar ou desativar a proteção a qualquer momento.

Na fase inicial, o bloqueio se aplica a três tipos de contas: depósitos à vista (como contas correntes), contas de poupança e contas de pagamento pré-pagas. A restrição vale inclusive dentro da mesma instituição onde o usuário já mantém relacionamento, o que impede que contas adicionais sejam abertas sem consentimento.

Em caso de tentativa de abertura, o cidadão é informado sobre qual instituição financeira consultou seus dados. A ideia é permitir rastreamento de possíveis usos indevidos e facilitar eventual contestação.

Para o Banco Central, a abertura de conta é o ponto de partida de uma série de produtos financeiros, o que torna a etapa particularmente sensível. “O relacionamento de um cidadão com uma instituição financeira geralmente começa com a abertura de uma conta. Pode ser que naquele mesmo momento você faça uma operação de crédito, um cartão de crédito, um crédito consignado, mas a conta está naquele pacote inicial. O êxito do BC Protege+ depende da adesão do cidadão”, afirmou Carlos Eduardo Gomes.

O BC também anunciou que, caso a adesão seja expressiva, a ferramenta poderá ser ampliada para outros serviços, incluindo registro de chaves Pix, contratação de cartão de crédito e operações de empréstimo. Ao centralizar autorizações de movimentação, a autoridade monetária busca criar um ambiente de maior controle sobre o uso da identidade digital financeira.

O novo sistema foi concebido a partir de debates com instituições reguladas e anunciado inicialmente em maio deste ano. Agora, com sua implementação definitiva, soma-se a outras iniciativas voltadas à prevenção de fraudes, como o mecanismo especial de devolução do Pix, a evolução dos padrões de autenticação e o Relatório de Contas e Relacionamentos (CCS). Este relatório, disponível também no Meu BC, permite ao usuário consultar todas as instituições em que possui contas, investimentos ou vínculos, facilitando a verificação de eventuais aberturas desconhecidas.

A expectativa é que a nova camada de proteção ajude a reduzir golpes baseados em engenharia social, roubo de identidade e criação de contas fantasmas — práticas que, nos últimos anos, alimentaram outros tipos de fraude, como empréstimos fraudulentos, falsificação de boletos, transferências indevidas e criação de perfis para lavagem de dinheiro.

Veja também: PIX registra 297,4 milhões de operações em um único dia e bate novo recorde no país

O avanço do BC Protege+ reforça uma diretriz regulatória consolidada após a expansão dos serviços digitais: o aumento do protagonismo do usuário na proteção de sua vida financeira. O Banco Central aposta que, quanto mais o cidadão compreender, acompanhar e controlar suas autorizações, menores serão as brechas para fraudes estruturadas.

SÃO PAULO WEATHER