Barril do petróleo dispara no mercado global após morte de Khamenei no Irã

Da redação de LexLegal
O mercado financeiro internacional reagiu com choque nesta segunda-feira (2) à morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e à ofensiva militar de EUA e Israel. O barril do petróleo tipo Brent saltou cerca de 7,6%, negociado próximo de US$ 79 em Londres, enquanto o WIT subiu 6% em Nova York.
Leia também: Senado vota acordo entre Mercosul e União Europeia nesta quarta-feira
A disparada reflete o pavor de analistas com o possível fechamento do Estreito de Ormuz, por onde escoa 20% da produção mundial de óleo e gás. O economista Rodolpho Sartori, da Austin Rating, explica que “com o Estreito de Ormuz fechado, a oferta cai muito e, consequentemente, os preços sobem quase que de forma imediata”.
Apesar de a Opep+ ter anunciado aumento na produção para suprir a ausência do Irã, o gargalo logístico é a maior ameaça à cadeia produtiva global. No Brasil, as ações da Petrobras subiram 3,90% na B3, mas o país pode sofrer com a inflação de derivados importados, que tendem a chegar mais caros ao consumidor.
O cenário de guerra já impacta as previsões para a taxa Selic, atualmente em 15% ao ano. Otávio Oliveira, do Banco Daycoval, avalia que o Banco Central pode ser mais conservador na reunião de março: “Tem a possibilidade de esse corte de juros vir um pouco mais tímido. Talvez não 0,50 ponto percentual (p.p.), talvez 0,25 p.p.”.
No câmbio, o dólar encerrou a trajetória de queda das últimas semanas e voltou a operar perto de R$ 5,20. O movimento é impulsionado pela fuga de investidores de países emergentes para ativos considerados mais seguros, como a moeda americana e o iene japonês, diante da incerteza geopolítica.
Veja também: Boletim Focus mantém projeções para PIB e inflação em 2026
Analistas preveem que o dólar se mantenha instável, oscilando entre R$ 5,20 e R$ 5,25 nos primeiros dias de conflito. Sartori observa que, embora conflitos costumem fortalecer o dólar, a gestão de Donald Trump gera incertezas próprias que podem limitar uma valorização mais abrupta da moeda.