Bancos sob medida: o novo desafio da IA

Nicolle Asam Katarivas*

Os serviços bancários têm evoluído rapidamente, indo muito além da segmentação tradicional do sistema financeiro. As instituições buscam, cada vez mais, desenvolver processos que garantam experiências completas e individualizadas para seus clientes.
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Para tanto, intensificam o investimento em tecnologia, como aprendizado de máquina, análise de dados e inteligência artificial generativa. O objetivo é prever as necessidades dos clientes e oferecer produtos adequados a cada momento, o que se enquadra no conceito de “banco sob medida”.
Segundo pesquisa divulgada pela Febraban neste ano, realizada pela Deloitte, oito em cada dez bancos já incorporam a inteligência artificial generativa (IA Gen) às operações e registram ganhos mensuráveis. O uso desse tipo de tecnologia deixou de representar um grande diferencial e tornou-se investimento estrutural necessário para que os bancos ofereçam seus serviços de forma equânime em relação aos demais.
Nesse cenário, os serviços bancários transcendem o modelo tradicional, e os bancos passam de meras instituições financeiras a plataformas inteligentes e grandes empresas de tecnologia. O grande desafio, no entanto, consiste em conciliar essas tecnologias com responsabilidade ética e segurança.
A aplicação da IA é objeto de discussão mundial, principalmente por suas consequências e limites ainda desconhecidos. A necessidade de regulá-la para garantir um caráter ético e sustentável impulsiona grandes debates. A União Europeia, por exemplo, aprovou em 2024 o AI Act, primeira legislação
sobre IA no mundo. No Brasil, o marco regulatório foi aprovado pelo Senado Federal e aguarda análise na Câmara dos Deputados.
Diante dos avanços da inteligência artificial, as empresas brasileiras assumem papel central na tarefa de orientar seu uso de forma sustentável, segura e ética. Transformar dados em vantagem competitiva, contudo, exige mais do que investir em tecnologia: requer governança sólida, estratégias bem definidas e capacitação humana.
Sem a mudança de cultura das instituições, a garantia de compreensão das tecnologias por toda a estrutura empresarial, a alteração nos modelos de governança, o investimento em segurança da informação, a visão holística das necessidades do cliente e a capacitação humana para lidar com os avanços e desafios do desenvolvimento tecnológico, o uso da IA não gera impacto positivo e eficiente.
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Mais do que isso, pode ocorrer de forma irresponsável e insustentável. O manejo da inteligência artificial será ético, seguro e sustentável somente se, junto ao investimento em tecnologia, as instituições financeiras também investirem em capital humano. Garantir a inclusão dos clientes e proporcionar experiências diferenciadas exige necessariamente forte capacitação humana aliada ao desenvolvimento tecnológico.
*Nicole Katarivas – advogada da Manesco Advogados, especialista em operações de M&A pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) e pós-graduada em direito empresarial.